Pablo Marçal deixa PRTB e se filia ao União Brasil apesar de inelegível até 2032
Marçal se filia ao União Brasil mesmo inelegível até 2032

Pablo Marçal anuncia filiação ao União Brasil enquanto enfrenta inelegibilidade até 2032

O ex-coach e empresário Pablo Marçal, atualmente inelegível até o ano de 2032, anunciou nesta terça-feira (3) que deixará o PRTB para se filiar ao União Brasil. A cerimônia oficial de filiação está marcada para acontecer na sexta-feira (6), em uma casa de eventos localizada na Vila Olímpia, região nobre da Zona Sul da capital paulista.

Estratégia política para tentar reverter condenações

A expectativa do União Brasil é que Marçal consiga reverter as duas condenações que ainda permanecem pendentes de recursos na Justiça Eleitoral. Essas ações judiciais são resultado da tumultuada campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024. Caso obtenha sucesso na reversão, o plano do partido é que Marçal dispute uma vaga de deputado federal ou mesmo uma cadeira no Senado pelo estado de São Paulo nas eleições de outubro.

Durante a campanha municipal de 2024, Marçal foi condenado três vezes à inelegibilidade. Duas dessas condenações ainda estão em fase de recursos no sistema judiciário eleitoral, mantendo-o afastado das disputas eleitorais por força da Lei da Ficha Limpa.

Principais condenações e ações judiciais

A principal ação contra o ex-coach acusa-o de uso indevido dos meios de comunicação, resultando em uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial durante a campanha eleitoral. Essa condenação já foi julgada em segunda instância pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e agora aguarda análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010), políticos condenados por crimes graves por órgãos colegiados em segunda instância tornam-se automaticamente inelegíveis por oito anos, mesmo quando existem recursos pendentes em outras esferas judiciais. A legislação foi criada especificamente para aumentar o rigor na moralidade eleitoral, estabelecendo a condenação colegiada em segunda instância como marco inicial para a inelegibilidade.

Outros processos e acordos judiciais

Na Justiça Comum, Marçal foi condenado no início de fevereiro a pagar R$ 100 mil de indenização ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), por divulgação de laudo falso contra o parlamentar durante a campanha de 2024. Na esfera eleitoral, Boulos e Marçal assinaram um acordo no TRE-SP que paralisa o andamento dessa ação por dois anos, conforme publicado anteriormente.

Apesar da paralisação temporária, Marçal ainda pode ser condenado à inelegibilidade nesse processo específico após a retomada da tramitação, segundo esclarecimentos da própria Justiça Eleitoral.

O ex-coach também celebrou um acordo com o apresentador José Luiz Datena (PSDB) para encerrar os processos judiciais que ambos moveram um contra o outro. Essas ações foram motivadas pela famosa "cadeirada" que Datena desferiu em Marçal durante debate na TV Cultura, em setembro de 2024.

Contexto da campanha de 2024 e desempenho eleitoral

Marçal concorreu à prefeitura de São Paulo em 2024 em uma campanha marcada por episódios de ofensas, brigas e violência. Apesar de ter conquistado mais de 1,7 milhão de votos no primeiro turno, o ex-coach não avançou ao segundo turno, sendo derrotado por Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL). O resultado final da eleição municipal foi a vitória de Nunes sobre o candidato do PSOL.

A mudança de partido representa uma nova estratégia política para Marçal, que busca manter-se ativo no cenário político nacional enquanto enfrenta restrições judiciais que poderiam afastá-lo definitivamente das disputas eleitorais. O União Brasil aposta na capacidade do ex-coach de mobilizar eleitores e reverter sua situação jurídica antes das próximas eleições.