Deputado baiano pode arrastar bolsonarismo para o escândalo do Master
As conexões políticas do banqueiro Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e preso na Operação Compliance Zero, estendem-se muito além das esferas petistas. O deputado federal João Roma, líder do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro, emerge como um aliado crucial de Lima e será central nas investigações da CPI do Crime Organizado.
Relações políticas em foco na CPI
João Roma, candidato a uma vaga no Senado na chapa de Antonio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), foi convocado para prestar esclarecimentos na comissão parlamentar de inquérito. Entre os pontos principais a serem abordados, destaca-se o credenciamento do Banco Master para operar no consignado do auxílio emergencial durante o final do governo Bolsonaro.
Durante esse período, o cartão CredCesta, gerenciado por Augusto Lima no Master, assumiu a responsabilidade pela originação de operações de crédito consignado com aposentados do INSS em 24 estados brasileiros e 176 municípios. O CredCesta atua em todas as linhas de consignado do INSS, oferecendo serviços como saques com taxas de juros reduzidas, cartão de compras, descontos em farmácias e auxílio-funeral.
Crescimento exponencial e impacto financeiro
Dados do INSS revelam um aumento vertiginoso nas operações com o CredCesta: de 104,8 mil contratos em 2022 para 2,75 milhões em 2024, um crescimento superior a 2.500% em apenas dois anos. Não por acaso, o cartão consignado passou a representar metade da receita do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.
João Roma, que foi chefe de gabinete de ACM Neto e eleito deputado federal pelo Republicanos em 2018 com seu apoio, rompeu com o aliado durante o mandato. Nomeado por Jair Bolsonaro como ministro da Cidadania, Roma migrou para o PL com a benção do ex-presidente, abrindo portas na direita para Augusto Lima, que antes mantinha relações principalmente com petistas baianos como Jaques Wagner e Rui Costa.
Reaproximação política e riscos eleitorais
Roma e ACM Neto voltaram a se aliar para as eleições de 2026, com o primeiro buscando uma vaga no Senado e o segundo candidatando-se ao governo da Bahia. As relações de Roma com Augusto Lima, no entanto, têm o potencial de causar danos significativos ao bolsonarismo e desgastar a imagem de ACM Neto.
Até então, o escândalo estava restrito a figuras petistas baianas, o que poderia representar uma vantagem competitiva nos palanques. Agora, a investigação pode nivelar o campo político, afetando as campanhas de ambos os candidatos e trazendo à tona questões sobre o envolvimento de figuras bolsonaristas no caso do Master.
A CPI do Crime Organizado promete aprofundar essas conexões, examinando como as relações políticas influenciaram o crescimento do Banco Master e seu papel no auxílio emergencial. As explicações de João Roma serão cruciais para entender o alcance do escândalo e seus impactos no cenário político baiano e nacional.



