Imagens revelam tentativas de obstrução de investigação no Rioprevidência, diz PF
Imagens mostram tentativas de obstruir investigação no Rioprevidência

Imagens acessadas pelo Jornal Nacional revelam tentativas de obstruir investigação da PF no Rioprevidência

O Jornal Nacional obteve acesso exclusivo a imagens que, segundo a Polícia Federal, demonstram tentativas do ex-presidente do Rioprevidência, Deives Marcon Antunes, de dificultar as apurações de fraude e corrupção envolvendo o fundo de pensão dos servidores do estado do Rio de Janeiro. Antunes foi preso esta semana sob acusações de obstrução de investigações e ocultação de provas, em um caso que envolve suspeitas de desvio de verbas de aposentadorias e pensões.

Investigação aponta organização criminosa no fundo de pensão

A Polícia Federal afirma que as evidências coletadas mostram como uma suposta organização criminosa atuava dentro do Rioprevidência para desviar recursos. Além de Deives Marcon Antunes, os irmãos gêmeos Rodrigo e Rafael Schmitz, descritos como aliados do ex-presidente pela investigação, também foram presos na terça-feira, dia 2. O fundo de pensão, que é o maior investidor no banco de Daniel Vorcaro com quase R$ 1 bilhão, está no centro das atenções das autoridades.

Detalhes das imagens e suspeitas de ocultação de provas

As imagens acessadas pelo Jornal Nacional revelam cenas consideradas cruciais pela PF. De acordo com o relatório policial, Antunes alugou um apartamento no andar abaixo do seu, alegando que seria uma área de recreação para seu filho. No entanto, a Polícia Federal sustenta que o imóvel era ocupado pelos irmãos Schmitz, que mantinham uma inegável intimidade com o ex-presidente.

As gravações mostram Rodrigo Schmitz entrando no apartamento de Deives usando a senha da fechadura eletrônica, indicando acesso facilitado. Além disso, o circuito interno de câmeras capturou uma intensa movimentação de malas e caixas entre os apartamentos 101 e 102, bem como para fora do prédio, durante o mês de janeiro. Esses itens eram transportados para carros de luxo na garagem, sendo interpretados pela polícia como possíveis materiais que poderiam auxiliar na investigação.

Sumiço de imagens e acesso privilegiado ao sistema de câmeras

Um aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi o desaparecimento de imagens que registravam a movimentação entre os andares, apesar do circuito interno funcionar 24 horas e ser monitorado por uma empresa especializada. A PF considera isso um indício adicional de tentativa de obstrução da Justiça e sumiço de provas.

Quando as autoridades conseguiram recuperar as imagens, descobriram que o sistema de câmeras possuía três senhas de administrador: uma pertencente à empresa responsável pelo monitoramento, outra de Deives Antunes e uma terceira do porteiro-chefe do prédio. O responsável pela empresa das câmeras informou que é bastante atípico um morador ter acesso ao circuito interno e destacou que as imagens podem ser apagadas remotamente por quem possui a senha.

Defesa do ex-presidente nega acusações

A defesa de Deives Marcon Antunes emitiu uma nota negando que seu cliente tenha destruído imagens, documentos ou provas. Os advogados afirmaram que Antunes vem colaborando com as autoridades desde o início das investigações e rejeitaram as alegações de obstrução. O Jornal Nacional não conseguiu estabelecer contato com a defesa dos irmãos Schmitz para obter um posicionamento sobre o caso.

Este caso destaca a complexidade das investigações de corrupção e a importância de evidências visuais para desvendar tentativas de interferência em processos judiciais. A Polícia Federal continua suas apurações para esclarecer todos os detalhes envolvendo o Rioprevidência e os suspeitos presos.