Casos de Rachadinha e Dinheiro Vivo: Dúvidas Persistem Sobre Flávio Bolsonaro
Dúvidas sobre Flávio Bolsonaro e caso da rachadinha

Casos de Rachadinha e Dinheiro Vivo: Dúvidas Persistem Sobre Flávio Bolsonaro

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) expressam preocupação com os efeitos do caso da "rachadinha" na campanha presidencial deste ano. As investigações foram encerradas após o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anularem as provas em 2021, mas o arquivamento deixou questões não resolvidas sobre a movimentação financeira do senador antes de sua chegada ao Senado.

Flávio Bolsonaro foi denunciado em novembro de 2020 pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, acusado de liderar uma organização criminosa para desviar parte do salário de ex-funcionários, prática conhecida como "rachadinha", que teria desviado R$ 6 milhões da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). O senador sempre negou as suspeitas, afirmando em nota que ele e seus colaboradores tiveram suas contas "devassadas e a vida revirada". Sua assessoria destacou que as investigações comprovam sua honestidade e que não há inquéritos atuais contra ele.

Questões Não Respondidas Sobre o Caso

Qual era a fonte de dinheiro vivo de Flávio Bolsonaro e sua família? A investigação do MP-RJ revelou que muitas despesas do senador eram pagas com dinheiro vivo, apesar da falta de saques correspondentes e de fontes de renda declaradas fora da atividade parlamentar até 2014. A Procuradoria dividiu a apuração em três períodos:

  • Entre 2007 e 2009, Flávio comprou 12 salas comerciais na Barra, zona oeste do Rio, com R$ 297 mil quase todos em dinheiro vivo. Ele declarou empréstimos de familiares, também em espécie.
  • De 2010 a 2014, período sem renda declarada em espécie, o casal realizou intensas transações imobiliárias. O MP-RJ identificou R$ 977 mil em gastos sem origem comprovada, incluindo depósitos em dinheiro vivo de ex-assessores para pagamentos de imóveis.
  • De 2015 a 2018, não houve acusações criminais, pois Flávio tornou-se sócio de uma loja de chocolates, alvo de investigação separada.

O que explica o depósito de R$ 638 mil em dinheiro vivo no mesmo dia da venda de apartamentos? Em novembro de 2012, Flávio comprou dois apartamentos em Copacabana por R$ 310 mil, valor 30% abaixo do preço pago em 2011, e os revendeu em 2014 por R$ 1,12 milhão, lucro de 260%. O MP-RJ confirmou suspeitas de "pagamento por fora", identificando que o corretor Glenn Dillard depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo em sua conta no dia da transação.

O que Flávio Bolsonaro guardava no cofre com o irmão Carlos Bolsonaro? O senador manteve um cofre conjunto por 12 anos no Banco do Brasil, revelado pela Folha em 2020. Na abertura em 2004, funcionários registraram urgência para "guarda de valores", mas nenhum valor foi declarado à Justiça Eleitoral. Flávio afirmou guardar "itens pessoais" por segurança. As datas de acesso ao cofre coincidem com operações imobiliárias da família, incluindo a compra suspeita em Copacabana.

Há relação entre os acessos ao cofre e as aquisições de imóveis? Sim, os acessos ao cofre de Flávio e Carlos Bolsonaro ocorreram em datas que correspondem a transações imobiliárias, como a compra dos apartamentos em Copacabana e aquisições de Jair Bolsonaro no Condomínio Vivendas da Barra, com características suspeitas de lavagem de dinheiro segundo o Coaf.

Por que Flávio omitiu da Receita Federal investimento em ações entre 2007 e 2008? O MP-RJ apontou que o senador não declarou investimentos de R$ 90 mil em ações, alegando prejuízos em ação judicial onde mencionou quitar débitos com dinheiro vivo.

O que explica a disparidade entre a receita da loja de chocolates e o verificado pelo shopping Via Parque? A investigação indicou que a receita da loja de chocolates foi inflada em R$ 1,6 milhão para lavagem de dinheiro do esquema da "rachadinha". Enquanto o shopping apontou faturamento de R$ 4,9 milhões entre 2015 e 2018, a empresa recebeu R$ 6,5 milhões no banco, com alta proporção de depósitos em dinheiro e padrões inconsistentes de pagamentos.