Banqueiro Daniel Vorcaro é preso novamente pela PF em operação contra esquema bilionário
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso novamente nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo. A operação investiga um esquema financeiro bilionário que envolve a venda de títulos de crédito falsos pela instituição bancária. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e optou por se entregar às autoridades.
A defesa de Fabiano Zettel emitiu nota afirmando que, "em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades". As prisões foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, função que assumiu no mês passado.
Justificativas para a nova prisão de Vorcaro
O ministro André Mendonça concordou com o pedido da Polícia Federal e fundamentou a prisão preventiva em várias razões:
- Ocultação patrimonial: Segundo a PF, após ser solto em 2025, Vorcaro continuou ocultando recursos. Em janeiro de 2026, foram bloqueados mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta vinculada ao pai do banqueiro.
- Ataques ao Banco Central: A investigação revela que, logo após sua soltura, a organização criminosa liderada por Vorcaro iniciou o "Projeto DV", contratando influenciadores para atacar a reputação do Banco Central.
- Periculosidade e uso de violência: Diálogos interceptados mostram Vorcaro emitindo ordens diretas para sua "milícia privada", apelidada de "A Turma", para praticar atos violentos, incluindo planos para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim.
- Obstrução de justiça e monitoramento ilegal: Vorcaro utilizava um grupo liderado por Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", para acessar ilegalmente sistemas sigilosos da PF, MPF e Interpol.
- Risco de fuga e dilapidação patrimonial: A PF relatou que Vorcaro possui jatos privados e extenso patrimônio no exterior, com evidências de que estaria dilapidando esses bens para evitar a aplicação da lei penal.
Outros presos e medidas cautelares
Além de Daniel Vorcaro, Mendonça decretou a prisão preventiva de outros três investigados:
- Fabiano Campos Zettel: Identificado como operador financeiro e cunhado de Vorcaro, responsável por intermediar pagamentos e estruturar contratos simulados para lavagem de dinheiro.
- Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão: Preso em Belo Horizonte, atuava como líder operacional de "A Turma", coordenando monitoramento de adversários e obtenção de dados sigilosos ilegalmente.
- Marilson Roseno Da Silva: Policial federal aposentado preso em Belo Horizonte, integrava a estrutura de monitoramento e intimidação, utilizando sua experiência para coletar dados sensíveis.
Outros investigados foram alvos da operação e terão que cumprir medidas cautelares, incluindo Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que ocupavam cargos de chefia no Banco Central. As restrições incluem uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com testemunhas e suspensão do exercício de função pública.
Funcionamento de "A Turma" e ameaças a jornalistas
"A Turma" é descrita como um núcleo de intimidação e obstrução de justiça que funcionava como uma milícia privada a serviço dos interesses de Vorcaro e do Banco Master. Seu modus operandi incluía:
- Obtenção ilegal de dados através de acesso a sistemas restritos da PF, MPF, FBI e Interpol
- Monitoramento e vigilância de autoridades e profissionais da imprensa
- Planejamento de atos violentos, como o plano detalhado para forjar um assalto e agredir o jornalista Lauro Jardim
- Atuação digital para remover perfis e conteúdos críticos em plataformas digitais
As mensagens interceptadas revelam que Vorcaro ordenou especificamente: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". Luiz Phillipi Mourão confirmou que colocaria pessoas seguindo o jornalista para "pegar tudo dele".
Estrutura financeira e corrupção no Banco Central
A investigação revelou que os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana atuavam como "consultores informais" para Vorcaro e o Banco Master, revisando documentos estratégicos e antecipando informações sensíveis da autarquia. Existia um grupo de mensagens específico entre Vorcaro e os dois servidores para discussão direta de estratégias.
Os servidores recebiam vantagens indevidas, incluindo propostas de contratação simulada e custeio de despesas pessoais. A PF identificou que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio custeando uma viagem da família do servidor aos parques da Disney e Universal em Orlando, nos Estados Unidos.
Ocultação de R$ 2,2 bilhões e rombo no FGC
A PF sustenta que Vorcaro ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido solto em 2025. As autoridades fazem uma comparação direta entre essa ocultação e o prejuízo causado pelo Banco Master, que deixou um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro, valor atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que "são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade" e que desconhece a existência de qualquer conta com tais valores.
A operação representa um marco na investigação do esquema financeiro bilionário ligado ao Banco Master, com a prisão do principal acusado e a descoberta de uma complexa estrutura criminosa que envolvia desde fraudes financeiras até uma milícia privada e corrupção no Banco Central.



