CPI do Crime Organizado ouve fundador da Reag em meio a suspeitas de lavagem de dinheiro
CPI ouve fundador da Reag em caso de lavagem de dinheiro

CPI do Crime Organizado convoca fundador da Reag para depoimento obrigatório

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado realiza nesta terça-feira, 3 de dezembro, a oitiva de João Carlos Falbo Mansur, fundador do grupo Reag. A convocação tem caráter obrigatório, o que significa que sua presença é coercitiva, podendo resultar em condução forçada em caso de ausência injustificada.

Investigações apontam envolvimento com lavagem de dinheiro do PCC

O grupo Reag entrou no radar da Polícia Federal por suspeitas de participação em operações de lavagem de dinheiro, incluindo a Operação Carbono Oculto. Esta operação investiga um esquema ligado ao setor de combustíveis com a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, fundos administrados pela empresa teriam sido utilizados para movimentações atípicas, levantando indícios de falhas nos mecanismos de supervisão do sistema financeiro.

As suspeitas levaram o Banco Central, em janeiro deste ano, a decretar a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, braço que gerenciava os fundos da Reag Investimentos. Em setembro de 2025, a Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado. A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos, parte deles geridos pela Reag, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões e controlados pela facção criminosa.

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Depoimento de ex-presidente do Banco Central é facultativo

Por outro lado, o depoimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, permanece incerto. Sua presença se tornou facultativa após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que transformou a convocação em convite nesta segunda-feira, 2 de dezembro. Essa alteração retira a obrigatoriedade de comparecimento e garante o direito ao silêncio caso a pessoa decida comparecer.

A diferença entre convocação e convite está na obrigatoriedade. O convite é uma solicitação voluntária, sem imposição legal, enquanto a convocação tem caráter coercitivo, com poderes de investigação equivalentes aos de autoridades judiciais. O requerimento para a convocação de Campos Neto é de autoria do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que justificou a necessidade de esclarecimentos sobre sua gestão no BC diante das possíveis falhas reveladas pelas operações Carbono Oculto e Compliance Zero.

Envolvimento com o Banco Master e liquidação da Reag

Em janeiro deste ano, a Reag também se viu envolvida na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras do Banco Master. João Carlos Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da operação. No dia seguinte, a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, foi liquidada pelo Banco Central.

A suspeita da Polícia Federal é que a Reag teria atuado ao lado do Master para estruturar e gerir fundos de investimentos para operações consideradas atípicas, como a movimentação de dinheiro para inflar resultados, esconder riscos e dar a imagem de solidez financeira ao banco. Na operação, o presidente do Master, Daniel Vorcaro, ficou preso por 11 dias, e o banco foi liquidado pelo Banco Central.

Em meio aos avanços das investigações, João Carlos Mansur, então presidente do conselho de administração da Reag, formalizou sua saída da holding. O executivo vendeu o controle da Reag Investimentos por R$ 100 milhões para um grupo de executivos da própria empresa, através da Arandu Partners Holding S.A., marcando um capítulo significativo nas investigações sobre crime organizado e lavagem de dinheiro no Brasil.

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