O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, não compareceu a uma audiência a portas fechadas no Capitólio, em Washington, nesta terça-feira (13). A sessão faz parte da investigação do Comitê de Supervisão do Congresso sobre as conexões do criminoso sexual Jeffrey Epstein com figuras poderosas do país.
Recusa e risco de acusações criminais
A ausência de Bill Clinton, que governou os EUA entre 1993 e 2001, agora o coloca sob a ameaça de acusações de desacato ao Congresso. Tais acusações podem, potencialmente, resultar em processos criminais contra o ex-mandatário democrata.
Sua esposa, a ex-secretária de Estado e candidata presidencial Hillary Clinton, também foi convocada para depor na quarta-feira (14). No entanto, em uma carta conjunta enviada ao comitê, o casal já comunicou que ela também não pretende comparecer.
Acusações de motivação política
Na carta dirigida ao deputado republicano James Comer, que lidera o comitê investigativo, os Clinton afirmaram já ter tentado fornecer as "poucas informações" que possuem sobre o caso. Eles acusaram Comer de desviar o foco das falhas do governo do ex-presidente Donald Trump, que, segundo a carta, foi amigo de Epstein por quase 15 anos.
"Não há explicação plausível para o que você está fazendo além de política partidária", escreveram. O casal ainda criticou a seletividade da investigação, apontando que, de oito pessoas intimadas além deles, sete foram dispensadas sem depor. "Desde que iniciou sua investigação no ano passado, o senhor entrevistou um total de duas pessoas", destacaram no documento.
Imagens e contexto limitado
A pressão sobre a investigação aumentou após o Departamento de Justiça liberar, em dezembro, uma parte dos arquivos do caso Epstein. Bill Clinton aparece em algumas das imagens divulgadas, incluindo uma em que está reclinado em uma banheira de hidromassagem ao lado de uma pessoa com o rosto ocultado.
Em muitas cenas, Clinton é a única pessoa identificável, mas os arquivos fornecem pouco ou nenhum contexto sobre as circunstâncias das fotos. Um porta-voz do ex-presidente, Angel Ureña, afirmou que "alguém ou algo está sendo protegido" na forma como os documentos vêm sendo divulgados e pediu a liberação imediata de todo material relacionado a Clinton.
Epstein, Trump e as teorias
Jeffrey Epstein, uma figura conhecida da alta sociedade nova-iorquina, é acusado de explorar sexualmente mais de mil jovens, incluindo menores de idade. Ele foi encontrado morto em sua cela em Nova York em 2019, antes de seu julgamento por tráfico de menores, fato que alimentou diversas teorias da conspiração.
Aliados de Donald Trump propagaram por anos a ideia de que Epstein teria sido assassinado para proteger personalidades influentes. Curiosamente, parte do material liberado inclui e-mails de um procurador federal listando Trump como passageiro no jato de Epstein em pelo menos oito ocasiões entre 1993 e 1996, algumas com jovens mulheres a bordo.
Durante sua campanha para as eleições de 2024, Trump prometeu revelações contundentes sobre o caso, mas, desde seu retorno ao poder, demonstrou relutância em publicar os documentos. James Comer, por sua vez, tentou minimizar o foco nos Clinton, afirmando à imprensa: "Ninguém está acusando Bill Clinton de nada reprovável, só temos perguntas".