A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (26), a Operação Respiro da Baleia contra um grupo criminoso especializado em aplicar golpes em empresas por meio da oferta e compensação de créditos fictícios de ICMS. As investigações indicam que o esquema causou prejuízo superior a R$ 30 milhões a uma única empresa, mas a polícia não descarta a existência de outras vítimas.
Esquema estruturado de lavagem de dinheiro
De acordo com a investigação, o grupo utilizava um método sofisticado dividido em quatro etapas. Na primeira fase, chamada de Engenharia Social, uma mulher, descrita como protagonista da fraude, com o apoio de um homem de confiança, induzia empresas a adquirir créditos fictícios de ICMS. Após a concretização do golpe, os valores eram transferidos para uma empresa cofre, que centralizava os recursos desviados para a etapa de ocultação.
Na sequência, os valores eram fracionados entre integrantes de uma família lavadora, utilizando a técnica de smurfing, que consiste em dividir os recursos em pequenas quantias para dificultar o rastreamento da origem ilícita. O esquema também contava com um mecanismo chamado Fluxo Reverso, apelidado de Respiro da Baleia, que simulava pagamentos de obrigações para retardar a percepção do prejuízo pelas vítimas.
Lucro escoado por consultorias de fachada
Segundo a polícia, o lucro obtido com o crime era escoado por meio de consultorias de fachada e empresas ligadas a um sócio oculto, completando o ciclo de lavagem de ativos. A Operação Respiro da Baleia investiga crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, associação criminosa, estelionato e eventuais crimes financeiros e tributários.
Mandados cumpridos
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão na capital paulista e no estado do Paraná. A ação é conduzida por policiais da 3ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).



