Desaparecimento de irmãos em Bacabal completa 21 dias com mudança na estratégia de buscas
Desaparecimento de irmãos em Bacabal completa 21 dias

Desaparecimento de irmãos em Bacabal completa 21 dias com mudança na estratégia de buscas

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completa 21 dias neste sábado (24) em Bacabal, no Maranhão. Após três semanas de intensas operações, as autoridades anunciaram uma mudança significativa na estratégia de buscas, reduzindo as varreduras em larga escala para focar em investigações mais direcionadas.

Redução das buscas e intensificação das investigações

Diante da ausência de vestígios concretos nas áreas vasculhadas, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que as buscas serão reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada. Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do estado, explicou que as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.

"O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade", afirmou Martins. Ele destacou que, infelizmente, as crianças não foram encontradas, mas os esforços serão redirecionados para dar foco às investigações da Polícia Civil, mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento, incluindo o Exército Brasileiro.

Depoimento do primo de 8 anos é crucial

Um elemento chave nas investigações é o depoimento do primo de 8 anos das crianças desaparecidas, que estava com elas no momento do sumiço. Encontrado após três dias perdido na mata, o menino recebeu alta hospitalar na terça-feira (20) e, com autorização da Justiça do Maranhão, passou a acompanhar as buscas pelos primos.

Acompanhado por policiais e por uma equipe da rede de proteção à infância, ele indicou os últimos caminhos que percorreu com Ágatha e Allan até o momento em que foi encontrado por carroceiros. Suas pistas ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado.

Segundo o relato do menino, a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa de seu pai. Para evitar serem vistos por um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata, onde o grupo se perdeu. Ele afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.

Pista da "casa caída" e separação das crianças

Uma das principais pistas fornecidas pelo menino foi a existência de uma casa abandonada no trajeto, descrita como "uma casa caída", com uma cadeira velha, botas velhas e um colchão velho. A informação foi confirmada pela investigação e pelo rastreamento feito com cães farejadores, que sentiram o cheiro das três crianças no local.

O menino contou que ele e os primos chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore próxima à casa. Foi ali que ocorreu a separação: ele seguiu por um lado, enquanto Ágatha e Allan foram pelo outro. Ederson Martins, delegado de polícia, explicou que o menino não detalha se seguiu para procurar ajuda ou tentar voltar ao ponto inicial, mas que as outras duas crianças já estavam extenuadas.

Força-tarefa percorreu mais de 200 km e ativação do Amber Alert

Nos primeiros 20 dias de buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal e voluntários, participaram das ações.

Paralelamente, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, com equipes especializadas em prontidão para atuar em áreas de mata e lago. Para ampliar o alcance das buscas, também foi acionado o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil. O sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.

"Esse programa é essencial para aumentar o alcance da busca", ressaltou o secretário Maurício Martins. O inquérito policial já ultrapassa 200 páginas e conta com apoio de um sistema nacional que permite acesso a bancos de dados de outros estados, mantendo o caso em protocolo de desaparecimento com divulgação ativa em redes sociais.