Justiça do Ceará mantém prisão de 236 adultos após brigas generalizadas de torcidas em Fortaleza
236 adultos presos após brigas de torcidas em Fortaleza

Justiça do Ceará mantém prisão de 236 adultos após confrontos violentos entre torcidas em Fortaleza

Em uma operação de grande escala, a Polícia capturou um grupo envolvido em brigas de torcidas na Avenida Coronel Carvalho, em Fortaleza, e em outros bairros da capital cearense. Os incidentes ocorreram no domingo (8), antes do primeiro Clássico-Rei de 2026 entre Ceará e Fortaleza, resultando em uma maratona judicial que mobilizou recursos extraordinários do sistema de justiça local.

Maratona de audiências e prisões mantidas

Após dois dias de intensas audiências, que exigiram a mobilização de mais juízes e procuradores, a Justiça do Ceará decidiu manter a prisão de 236 adultos suspeitos de envolvimento nas brigas. Os depoimentos foram realizados na segunda-feira (9) e ao longo da terça-feira (10), com um total de mais de 350 pessoas detidas inicialmente, incluindo 113 adolescentes e 249 adultos.

Desse montante, 236 adultos tiveram suas prisões em flagrante convertidas em preventivas, enquanto a situação dos adolescentes não foi detalhada pelas autoridades. O elevado número de detenções levou o Tribunal de Justiça do Ceará a designar, em caráter excepcional, dez magistrados para reforçar os trabalhos, e o Ministério Público do Ceará (MPCE) ampliou de 4 para 11 o número de procuradores atuando no caso.

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Confrontos generalizados e apreensão de armas

As brigas se espalharam por diversos bairros de Fortaleza, como Barra do Ceará, Edson Queiroz, Bom Jardim e Passaré. Imagens gravadas por testemunhas mostram torcedores trocando socos e chutes em vias públicas, com episódios envolvendo tanto confrontos entre torcidas rivais quanto brigas internas dentro das mesmas torcidas.

Os suspeitos utilizaram uma variedade de objetos perigosos, incluindo paus, pedras, rojões, socos-ingleses e até artefatos explosivos artesanais. Em uma das ocorrências, no Bairro Edson Queiroz, equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) capturaram 184 pessoas, sendo 103 adultos e 81 adolescentes, com apreensões de balaclavas, entorpecentes, celulares e outros itens.

Violência contra torcedoras e investigação do MP

Além dos confrontos físicos, um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou torcedoras do Fortaleza coagindo torcedoras do Ceará a retirarem suas camisas do time adversário, resultando em exposição de partes íntimas das vítimas. Esse episódio destacou a gravidade e a diversidade dos atos violentos registrados.

Paralelamente, o Ministério Público do Ceará investiga mensagens que seriam ordens de uma facção criminosa proibindo brigas entre torcedores do Ceará e Fortaleza. As mensagens, que circularam na internet, alegam que os conflitos "trazem problemas para a organização e sistema para dentro da quebrada", referindo-se à presença policial. Em resposta, os presidentes de duas das maiores torcidas organizadas, Weslley Paulo (Dudu) da Torcida Organizada Cearamor (TOC) e Anderson Xiboi da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), renunciaram aos cargos, embora não haja confirmação se as saídas estão diretamente ligadas às ordens da facção.

Consequências legais e medidas de segurança

Os detidos que tiverem sua participação comprovada nos confrontos podem enfrentar acusações por crimes como associação criminosa, corrupção de menores, lesão corporal, desacato, desobediência, resistência e tumulto no contexto da Lei Geral do Esporte. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que a Polícia Civil apura todas as informações de ações criminosas, com setores de Inteligência das Forças de Segurança auxiliando os trabalhos.

Este caso sublinha os desafios contínuos de violência relacionada ao futebol no estado e as medidas judiciais e policiais adotadas para conter tais incidentes, com um foco renovado na investigação de possíveis influências criminosas nas torcidas organizadas.

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