PF cumpre 42 mandados e bloqueia R$ 5,7 bi na Operação Compliance Zero
PF cumpre 42 mandados contra dono do Banco Master

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) uma nova etapa da Operação Compliance Zero, com foco nas investigações sobre suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master. Os agentes cumpriram 42 mandados de busca e apreensão e determinaram o bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.

Alvos e prisão temporária

As diligências atingiram endereços ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Também foram alvo parentes de Vorcaro e empresários, incluindo João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, e o conhecido investidor Nelson Tanure.

Durante a ação, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso quando se preparava para embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi liberado horas depois. Os mandados foram cumpridos em estados como Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Até as 9h desta quarta, a PF havia apreendido R$ 200 mil em espécie com um dos investigados e R$ 97 com outro, além de carros de luxo, relógios e um grande arsenal, com revólveres e fuzis.

Foco nos fundos de investimento

Um dos eixos centrais desta fase da investigação é a atuação de fundos de investimentos que teriam sido utilizados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. O Banco Central já identificou seis fundos suspeitos de integrar o esquema fraudulento.

Segundo a PF, o objetivo é aprofundar a coleta de informações sobre os artifícios usados pelo banco ao longo dos anos e identificar os responsáveis pela criação dessa estrutura. A operação investiga crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

Defesas se manifestam e investigação avança

A defesa de Daniel Vorcaro emitiu nota afirmando que o ex-banqueiro tem colaborado integralmente com as autoridades e que atenderá a todas as medidas judiciais com transparência. Os advogados disseram ainda não ter tido acesso aos autos.

Já a defesa de Nelson Tanure negou qualquer relação societária com o Banco Master, afirmando que o empresário é apenas um cliente. O advogado de Tanure, Pablo Naves Testoni, expressou confiança de que as investigações comprovarão a inexistência de ilícitos.

As investigações sobre a venda fraudulenta de carteiras de crédito do Master para o BRB (Banco de Brasília) podem ser concluídas rapidamente, segundo fontes da corporação. Agentes avaliam que já existem provas robustas, e a fase de depoimentos dos investigados está prevista para o fim de janeiro e início de fevereiro.

Esta é a segunda fase da Operação Compliance Zero. Na primeira, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso sob a acusação de liderar um esquema que criou carteiras falsas de crédito para valorizar o Master e viabilizar sua venda ao BRB. O inquérito corre sob a relatoria do ministro do STF, Dias Toffoli.