Justiça de SP pede extradição de 'Hulk', líder do PCC preso em Portugal
Brasil pede extradição de 'Hulk' preso em Portugal

A Justiça do Estado de São Paulo formalizou um pedido de extradição à República de Portugal para trazer ao Brasil Ygor Daniel Zago, conhecido pelo apelido de "Hulk". O indivíduo, preso no final do ano passado em um condomínio de luxo em território português, é acusado de comandar uma facção do Primeiro Comando da Capital (PCC) especializada na adulteração de combustíveis com metanol.

Detalhes do Esquema Criminoso

De acordo com documentos da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, com sede no Fórum da Barra Funda, Ygor Daniel Zago atuava como uma liderança do PCC em uma organização estável voltada para crimes contra a ordem tributária e econômica. O esquema funcionou pelo menos de 2019 a janeiro de 2025, atuando em municípios como São Paulo, Guarulhos, Osasco e outras localidades da Região Metropolitana.

O despacho judicial detalha que "Hulk" exercia um papel central na gestão financeira e estratégica do grupo. Suas atribuições incluíam:

  • Contatos diretos com fornecedores de metanol.
  • Administração dos recursos financeiros ilícitos gerados pelo esquema.
  • Coordenação de pagamentos, inclusive de vantagens indevidas a agentes públicos (corrupção ativa).
  • Aquisição e controle indireto de postos de combustíveis, utilizando empresas de fachada e laranjas.

Processo de Extradição e Possíveis Penas

O pedido de extradição, encaminhado pelo governo brasileiro às autoridades portuguesas, será analisado pelo Tribunal da Relação de Lisboa. A Justiça paulista fundamentou o pedido argumentando que os crimes imputados a Zago são puníveis no Brasil, não possuem natureza política e são passíveis de extradição conforme tratados internacionais e a legislação portuguesa.

"Hulk" responde pelos seguintes crimes, cujas penas somadas podem chegar a 35 anos de prisão:

  • Organização criminosa.
  • Revenda de derivados de petróleo em desacordo com as normas legais.
  • Corrupção ativa.
  • Lavagem de dinheiro.

A pena mínima estimada para esses ilícitos é de nove anos de reclusão. O documento judicial também garante que, após a extradição, o acusado não será submetido ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ou a qualquer regime prisional de exceção, um requisito comum em processos de cooperação internacional.

Garantias e Próximos Passos

Para atender às exigências legais de Portugal, a Justiça de São Paulo declarou que todas as leis penais aplicáveis ao caso estavam em vigor na data dos fatos e que não há prescrição do procedimento criminal. "Inexiste, portanto, qualquer causa extintiva da punibilidade que obste à persecução penal", afirma o texto.

Agora, a decisão sobre o retorno de Ygor Daniel Zago ao Brasil para enfrentar a Justiça local está nas mãos do sistema judiciário português. O caso ilustra os esforços de cooperação internacional no combate a organizações criminosas transnacionais de grande poder econômico, como as facções envolvidas no lucrativo e perigoso mercado de combustíveis adulterados.