Secretário de SP afirma: assassinato de ex-delegado foi vingança por prisões de 2005
Assassinato de ex-delegado foi vingança, diz secretário

O assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes foi um ato de vingança por prisões realizadas há mais de duas décadas. A afirmação foi feita pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, durante uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 13 de janeiro de 2026.

Motivação do crime é revelada em coletiva

Em entrevista concedida para esclarecer a prisão de três suspeitos pelo homicídio, Nico Gonçalves disse estar seguro para revelar a real motivação por trás da execução do agente público. O crime é investigado como uma retaliação direta às ações de combate ao crime organizado lideradas por Fontes no passado, especialmente contra roubos a bancos.

"Não dá para um delegado de polícia que atuou tanto ser morto e a gente não ter achado a motivação. E hoje estou seguro para falar isso", declarou o secretário. Ele destacou que a atuação vigorosa de Ruy Ferraz no enfrentamento a esse tipo de crime pode ter sido a causa do que aconteceu com ele.

Linhas de investigação: passado e administração municipal

O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, apresentou na ocasião as duas principais linhas de investigação que permanecem ativas. A primeira, e mais forte, é o histórico de combate ao crime organizado do ex-delegado. A segunda linha analisa uma possível relação com a atuação de Fontes na administração municipal, investigando se alguma irregularidade administrativa na prefeitura pode ter conectado os criminosos do passado com o presente.

"Talvez o encontro do passado e do futuro que possa ter motivado a execução", ponderou Sayeg durante a explicação.

Vingança por prisões históricas

Nico Gonçalves, que trabalhou com Ruy Ferraz por mais de 30 anos, foi enfático ao relacionar o assassinato a prisões específicas. Ele relembrou a operação que prendeu uma série de assaltantes de banco no ano de 2005, ação na qual o ex-delegado-geral teve participação direta.

"Eu acho que teve uma retaliação dessa prisão de todos esses assaltantes de banco que foram presos hoje, em 2005", afirmou Gonçalves. Ele completou: "Todos eles tiveram contato direto com o Ruy na época, que prendeu eles como roubo a banco e ficou essa mágoa de execução ao Ruy, dando uma resposta, uma vingança ao Ruy".

O secretário descreveu Ruy Ferraz Fontes como um profissional "fervoroso" e como "a pessoa que mais combateu o crime organizado" em sua trajetória. A coletiva marcou um passo importante no caso, trazendo à tona a hipótese considerada mais sólida pelas autoridades para explicar a morte violenta do ex-delegado.