Tribunal de Brasília determina análise de torres de celular no Crime da 113 Sul
Tribunal exige análise de torres de celular no Crime da 113 Sul

Decisão judicial exige dados de torres de celular em caso emblemático da capital federal

O Tribunal do Júri de Brasília emitiu uma determinação crucial nesta sexta-feira, dia 13, ordenando que a análise das estações rádio-base (ERBs) de oito indivíduos relacionados ao famoso Crime da 113 Sul seja entregue dentro do prazo de quinze dias. Esta decisão judicial atende a um dos múltiplos pedidos formulados pela defesa de Adriana Villela, acusada de ser a mandante do brutal triplo homicídio, desde que o processo retornou à primeira instância.

Objetivo da análise de deslocamentos

A intenção primordial desta medida é verificar com precisão os deslocamentos das pessoas mencionadas no inquérito policial durante os períodos próximos à data do crime, ocorrido em 2009. Especificamente, busca-se identificar se essas pessoas viajaram para o Distrito Federal ou se movimentaram pela capital federal naqueles dias críticos. As estações rádio-base, popularmente conhecidas como torres ou antenas de celular, constituem sistemas fixos de comunicação formados por torres e cabos que interligam os telefones móveis à rede das operadoras, fornecendo dados valiosos sobre localização.

Detalhes da determinação judicial

A decisão do Tribunal do Júri estabelece claramente que os relatórios devem abranger os terminais telefônicos de:

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  • Leonardo Campos Alves e Paulo Cardoso Santana: condenados pela execução direta do crime
  • Neilor Teixeira da Mota: tio de Paulo Cardoso Santana
  • José Guilherme Villela, Maria Villela e Francisca Nascimento da Silva: as três vítimas fatais do caso
  • Marcos Santana e Gerson Belarmino de Sousa: porteiros do prédio na época dos fatos

O tribunal determinou ainda que as análises precisam incluir não apenas o dia exato do crime, mas também os dias anteriores e posteriores ao ocorrido. Em relação especificamente às ligações das três vítimas, é necessário apontar com exatidão o horário de chegada de cada uma no apartamento onde o crime foi cometido.

Contexto histórico do Crime da 113 Sul

O Crime da 113 Sul representa um dos casos mais emblemáticos da história criminal de Brasília, tratando-se de um triplo homicídio ocorrido em agosto de 2009 que vitimou cruelmente o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, sua esposa Maria Villela e a empregada doméstica Francisca da Silva. O crime aconteceu no dia 28 de agosto de 2009, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, uma quadra nobre da capital federal.

As vítimas foram brutalmente assassinadas a golpes de faca:

  1. José Guilherme Villela, 73 anos, ex-ministro do TSE, morto com 38 facadas
  2. Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos, advogada renomada, morta com 12 facadas
  3. Francisca Nascimento da Silva, 58 anos, empregada doméstica da família, morta com 23 facadas

O casal Villela formava uma dupla de advogados extremamente respeitada, responsável por um escritório que atendia o mais alto escalão da capital federal, incluindo ex-presidentes e ministros de Estado.

Desenvolvimentos processuais e condenações

Dois homens foram condenados pela execução material do crime: Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio onde o casal residia, condenado em 2013 a 60 anos de reclusão; e Paulo Cardoso Santana, sobrinho de Leonardo, condenado em 2016 a 62 anos de prisão. Ambos os executores, presos em 2010, afirmam consistentemente que cometeram os assassinatos seguindo ordens diretas de Adriana Villela, que os teria contratado por aproximadamente 27 mil dólares e joias valiosas.

Em 2019, Adriana Villela foi condenada como suposta mandante do triplo homicídio. Contudo, em setembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou essa condenação por entender que houve cerceamento de defesa durante o processo, determinando o retorno do caso à primeira instância para novo julgamento.

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Perfil da acusada

Adriana Villela, nascida em Brasília em 1964, é filha das vítimas José Guilherme Villela e Maria Carvalho Mendes Villela. Além dela, o casal teve Augusto Villela como filho mais novo. Adriana graduou-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB) em 1987 e, duas décadas depois, obteve o título de mestre em desenvolvimento sustentável pela mesma instituição.

Após o crime, por volta de 2010, a arquiteta mudou-se para um apartamento no Leblon, no Rio de Janeiro, propriedade deixada pelos pais. Recentemente, transferiu sua residência para uma cidade no interior da Bahia, onde vive atualmente. Relatos indicam que ela visita Brasília com pouca frequência devido às memórias traumáticas do crime, que permanecem vivas na capital federal.

A decisão judicial estabeleceu ainda o prazo de quinze dias para que a defesa de Adriana Villela realize cópias das mídias solicitadas, que estão disponíveis desde dezembro do ano passado. Este desenvolvimento processual representa mais um capítulo no complexo desenrolar de um caso que continua a capturar a atenção pública e jurídica quinze anos após sua ocorrência.