Tenente da Polícia Militar de Goiás enfrenta investigação por suposta prática de agiotagem
A tenente da Polícia Militar de Goiás, Rhainna Iannari Gomes Lima, de 40 anos, está sendo investigada após uma manicure de Aparecida de Goiânia denunciá-la por suposta prática de agiotagem e ameaças. A policial nega veementemente as acusações e alega ter sido vítima de um golpe financeiro. O caso está sendo acompanhado de perto pelo Ministério Público de Goiás e pela própria corporação policial, que já determinou a abertura de um Procedimento Administrativo para apurar eventuais transgressões disciplinares.
Origens da dívida e acusações de cobranças abusivas
Segundo o relato da manicure, sua irmã contraiu um empréstimo de R$ 2 mil com a tenente Rhainna. A profissional assumiu a dívida posteriormente, mas afirma que, com a aplicação de juros elevados, o valor aumentou drasticamente ao longo do tempo. Ela sustenta que já pagou mais de R$ 18 mil, mas a dívida não teria sido quitada, tendo evoluído de R$ 2,5 mil para R$ 11 mil e, posteriormente, para R$ 36 mil. A manicure também apresentou uma lista com parcelas semanais de R$ 60 e multa de R$ 20 por dia em caso de atraso, além de relatar que as cobranças passaram a ser feitas por terceiros.
Em contrapartida, a tenente afirma que emprestou dinheiro não apenas à manicure, mas também a familiares dela, e que o valor total devido ultrapassa R$ 16,5 mil. A defesa da policial nega categoricamente a prática de agiotagem, argumentando que as cobranças se referem exclusivamente aos valores emprestados sem juros abusivos.
Relatos de ameaças e versão da acusada
Em áudios divulgados pela TV Anhanguera, a tenente Rhainna teria feito ameaças diretas à manicure. Em uma das mensagens, a policial declarou: “Para a minha paciência acabar é dois dedos” e “Quando é para ser ruim, eu sou péssima”. A manicure relatou ainda ter recebido ligações e mensagens em tom claramente intimidatório.
A tenente reconheceu que fez contatos mais firmes, mas justificou que apenas mencionou a possibilidade de procurar a delegacia por entender que poderia ter sido vítima de estelionato. Em vídeo publicado nas redes sociais, Rhainna afirmou que conhecia a manicure há anos e que havia criado um vínculo de amizade antes dos empréstimos. Ela disse que começou a emprestar dinheiro em 2024 e que não recebeu os valores de volta, manifestando a intenção de provar sua inocência e ingressar com medidas judiciais.
Andamento das investigações
A denúncia foi formalmente protocolada no Ministério Público no dia 4 de fevereiro de 2026. A Polícia Militar informou que, além do Procedimento Administrativo para apurar eventual transgressão disciplinar, também está verificando indícios relacionados à possível prática de crime militar. A corporação destacou que a tenente está atualmente no exercício exclusivo de atividades administrativas, afastada de funções operacionais.
O Ministério Público de Goiás mantém acompanhamento rigoroso do caso, que envolve alegações graves contra uma integrante da força policial. A situação expõe questões sobre conduta profissional e práticas financeiras irregulares dentro da instituição, com desdobramentos que podem incluir tanto responsabilizações disciplinares quanto criminais.
