Brasileiro que sobreviveu a ataque do Hamas enfrenta nova onda de tensão com mísseis iranianos em Israel
O brasileiro Rafael Birman, de 32 anos, que escapou com vida do massacre na rave atacada pelo grupo extremista Hamas em outubro de 2023, voltou a viver momentos de intensa apreensão nos últimos dias. Morador de Tel Aviv, ele enfrentou a retaliação do Irã, que disparou mísseis contra Israel em resposta a ações militares coordenadas dos Estados Unidos e do próprio Estado israelense.
Horas de apreensão e abrigos subterrâneos
Entre sábado, 28 de setembro, e domingo, 1º de outubro, Birman precisou se abrigar diversas vezes no bunker localizado no subsolo do prédio onde reside. "Teve muitas bombas, muitos mísseis e sirene tocando o dia inteiro no domingo", relatou ao g1. Apesar da tensão constante, o consultor de fraude bancária afirma se sentir seguro no país. "Todo mundo aqui está no mesmo barco. É uma tensão. Mas, ao mesmo tempo, a gente se sente muito seguro aqui. A gente confia muito no sistema de defesa de Israel", destacou.
O protocolo de segurança é acionado através de mensagens de texto enviadas aos celulares dos moradores, alertando sobre a aproximação de mísseis. Imediatamente após o aviso, uma sirene toca, orientando que todos busquem os abrigos subterrâneos. A saída só é permitida após um novo comunicado oficial.
Marcas de um sobrevivente
A experiência traumática do ataque à festa de música eletrônica, realizada perto da Faixa de Gaza, deixou marcas profundas em Birman. Como símbolo de sua resistência, ele tatuou a palavra em inglês "survivor", que significa "sobrevivente" em português. O carro alugado que utilizou para ir ao festival foi atingido por mais de 200 tiros durante o episódio.
Após o massacre, ele retornou ao Brasil em novembro de 2023, mas decidiu voltar para Israel em janeiro de 2024. "Talvez daqui a uns anos eu volte para o Brasil, mas gosto muito da vida aqui", confessou, demonstrando uma conexão ambivalente com o país que o acolheu.
Contexto do conflito internacional
Os recentes bombardeios ocorrem em um cenário de escalada geopolítica. As forças armadas dos Estados Unidos e de Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã no sábado, após semanas de negociações tensas. A pressão internacional, especialmente dos EUA, visava forçar Teerã a encerrar seu programa nuclear.
As explosões foram registradas na capital iraniana, Teerã, e em diversas outras cidades do país. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, faleceu em um dos bombardeios. Em resposta, o governo iraniano disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio, intensificando o ciclo de violência na região.
A história de Rafael Birman ilustra a realidade de civis que, mesmo após sobreviverem a tragédias anteriores, continuam expostos aos riscos de um conflito que parece não ter fim. Sua resiliência e a confiança no sistema de defesa israelense refletem a complexa dinâmica de segurança e medo que define a vida cotidiana em zonas de tensão permanente.
