Câmera flagra suspeitos chegando para assassinar professor da Ufam em briga por bares em Manaus
Suspeitos são flagrados chegando para matar professor da Ufam em Manaus

Câmera de segurança flagra chegada de suspeitos para execução de professor da Ufam em Manaus

A Polícia Civil do Amazonas divulgou detalhes sobre o assassinato do professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Davi Said Aidar, de 62 anos, ocorrido em fevereiro deste ano. O crime, motivado por uma disputa comercial entre bares no mesmo ramal, foi registrado por câmeras de segurança que flagraram os suspeitos chegando ao local.

Disputa comercial vira tragédia

De acordo com o delegado Adanor Porto, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a principal suspeita de mandar matar o professor é Juliana da Rocha Pacheco, de 42 anos, que continua foragida. A investigação aponta que Juliana já tinha um bar no ramal da rodovia AM-010, em Manaus, quando o professor se mudou para a área e abriu seu próprio estabelecimento.

"Após ele abrir esse bar, o movimento do bar da Juliana reduziu drasticamente. A partir desse momento gerou uma insatisfação e iniciou-se uma rixa entre os dois", afirmou o delegado. Os desentendimentos evoluíram para ameaças e discussões constantes, culminando no planejamento do homicídio.

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Organização meticulosa do crime

A polícia revela que, diante da rivalidade, Juliana procurou seu sobrinho, Lucas Santos de Freitas, de 31 anos, conhecido como "Lucão" ou "Magrão", para organizar a execução. "Ela resolveu ceifar a vida desse professor procurando seu sobrinho para que organizasse toda essa empreitada criminosa", explicou Adanor Porto.

Lucas é apontado como mentor intelectual do crime. Ele recrutou outros suspeitos, definiu funções e planejou detalhadamente a ação. Parte dos envolvidos tinha dívidas com ele e teria aceitado participar em troca de pagamento ou abatimento desses valores.

Antes do crime, Juliana teria entregado uma mochila com uma arma de fogo para o grupo. Lucas permaneceu em um carro no ramal enquanto os executores seguiram em uma motocicleta até o bar da vítima. Antonio Carlos Pinheiro Meireles, de 41 anos, conhecido como "TK", desceu da moto e efetuou os disparos. Ao todo, foram 14 tiros, com sete atingindo o professor. Os suspeitos fugiram em seguida.

Cinco prisões e confissões

A investigação identificou cinco pessoas envolvidas no caso:

  • Juliana da Rocha Pacheco (mandante) – foragida
  • Lucas Santos de Freitas (mentor intelectual) – preso em 25 de fevereiro no bairro Monte das Oliveiras
  • Antonio Carlos Pinheiro Meireles (executor) – preso em 3 de março no bairro Novo Aleixo, com antecedentes por homicídio
  • Rafael Fernando de Paula Bahia, 28 anos (piloto da motocicleta) – preso em 3 de março no bairro Colônia Terra Nova
  • Emerson Sevalho de Souza, 26 anos (apoio ao executor) – preso em 4 de março também na Colônia Terra Nova

Segundo o delegado, todos os presos confessaram participação no crime. "Todos que estão presos não só confessaram os crimes, como indicaram os outros participantes. Os depoimentos estão alinhados e convergentes", afirmou. Os suspeitos responderão por homicídio qualificado e associação criminosa, permanecendo à disposição da Justiça.

Legado acadêmico interrompido

Davi Said Aidar era professor de Ciências Agrárias da Ufam, com uma extensa trajetória acadêmica:

  1. Graduado em Zootecnia pela Fundação Universidade Estadual de Maringá (FUEM)
  2. Mestre em Entomologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
  3. Doutor em Entomologia pela Universidade de São Paulo (USP)
  4. Pós-doutorado em Genética Molecular também pela USP

O professor se destacou por pesquisas em genética de abelhas e animais domésticos, com forte atuação em projetos de meliponicultura, apicultura e preservação de abelhas silvestres, desenvolvidos principalmente em comunidades rurais do Amazonas. Tornou-se titular em 2020.

Em nota, a Ufam manifestou profundo pesar pelo falecimento do professor, ligado à Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), destacando seu legado à comunidade universitária. Até o momento, não foram informados os locais do velório.

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