Soldado denuncia tenente-coronel por assédio e agressão durante confraternização da PM no Tocantins
Soldado denuncia coronel por assédio e agressão em festa da PM

Soldado da PM denuncia tenente-coronel por assédio e agressão física durante confraternização

Uma soldado da Polícia Militar do Tocantins apresentou denúncia formal contra o tenente-coronel Adão Pereira dos Santos, acusando-o de uma série de abusos e agressões ocorridos durante uma confraternização. Segundo o relato detalhado, a situação culminou com um tapa no rosto da vítima após ela se esquivar de uma tentativa de beijo forçado.

Relato detalhado da violência e constrangimento

Em entrevista à TV Anhanguera, a militar descreveu como o assédio começou com insistências inadequadas sobre "chances" românticas. "Ele a todo o tempo ficava questionando se ele tinha chance comigo, quantos por cento de chance tinha. Eu falei que ele tinha 0% de chance", relatou a soldado, acrescentando que os termos pejorativos utilizados foram muito pesados e a situação extrapolou qualquer normalidade.

O episódio de violência física ocorreu quando o oficial, segundo a vítima, segurou seu pescoço com as duas mãos e tentou beijá-la à força. "Eu só consegui virar o rosto e o beijo pegou no lado direito da bochecha. Diante disso, ele desferiu um tapa no meu rosto", descreveu. Testemunhas confirmaram à Corregedoria que o tenente-coronel estava visivelmente alterado e repetia em tom audível que a soldado "ia ser dele de qualquer forma".

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Investigações em andamento e posicionamentos institucionais

O tenente-coronel Adão Pereira dos Santos, que atua na PM desde 1998 e comanda o policiamento especializado, foi investigado pela Corregedoria da Polícia Militar por múltiplas acusações:

  • Crime contra a dignidade sexual
  • Assédio e importunação sexual
  • Abuso de autoridade
  • Violência contra inferior hierárquico

A Corregedoria informou que o inquérito policial militar foi concluído e encaminhado à Justiça Militar. Paralelamente, um inquérito também foi aberto na Delegacia da Mulher. Atualmente, o oficial continua em exercício de suas funções, enquanto a vítima está de licença e recebe atendimento psicológico especializado.

Dificuldade de intervenção hierárquica e constrangimento público

O episódio causou intenso constrangimento entre os presentes, incluindo civis que participavam da festa. Militares questionados pela Corregedoria sobre a falta de intervenção mais efetiva explicaram a dificuldade de agir contra um superior hierárquico armado. Um dos depoentes destacou que "os civis não compreenderam a nossa impossibilidade de uma ação mais incisiva, por se tratar de um superior hierárquico e estar armado".

Notas oficiais da defesa e da Polícia Militar

A defesa de Adão Pereira dos Santos emitiu nota afirmando que "o acusado é inocente, não havendo, até o presente momento, qualquer decisão judicial definitiva que o responsabilize pelos fatos noticiados". A defesa ressaltou que o processo tramita sob segredo de Justiça e repudiou julgamentos precipitados, destacando a trajetória sólida do militar durante mais de três décadas de serviço.

A Polícia Militar do Tocantins, por sua vez, emitiu comunicado detalhado informando que "todos os procedimentos legais e administrativos cabíveis foram instaurados à época". A corporação destacou a criação da Comissão de Implementação de Políticas em Atenção à Mulher (CIPAM) em 2024 como medida estruturante para prevenção e enfrentamento de situações de violência e assédio, além da existência da Ouvidoria da Mulher como canal institucional seguro para denúncias.

A instituição reafirmou que não compactua com qualquer prática de violência, assédio ou discriminação, adotando postura firme na apuração rigorosa dos fatos e na responsabilização dos envolvidos, sempre dentro dos parâmetros legais estabelecidos.

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