Sargento da PM tem pena convertida em infração disciplinar após furto de perfume em Teresina
Sargento da PM tem pena convertida após furto de perfume

Sargento da PM tem pena convertida em infração disciplinar após furto de perfume em Teresina

O Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) decidiu, por maioria dos votos, converter a pena criminal do sargento Avelar dos Reis Mota, conhecido como sargento Mota, em uma infração disciplinar. O militar havia sido condenado a mais de quatro anos de prisão pelo furto de um perfume, mas a nova decisão alterou o enquadramento jurídico do caso.

Decisão judicial e argumentos da defesa

O relator do processo, desembargador José Vidal, votou pelo conhecimento do recurso apresentado pela defesa, mas rejeitou a preliminar que alegava nulidade do processo por quebra da cadeia de custódia das provas. O magistrado entendeu que o caso não configurava furto qualificado previsto no Código Penal Militar e desclassificou a conduta para o crime de violação de domicílio, do Código Penal comum.

No entanto, o desembargador Joaquim Santana divergiu apenas em relação à pena. Para ele, como se trata de furto de pequeno valor e o réu é primário, a situação deveria ser resolvida no âmbito disciplinar, sem condenação criminal. Esse entendimento foi acompanhado pelo desembargador Antônio Lopes, formando a maioria que determinou a conversão da pena.

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O advogado Otoniel Bisneto, que defende o militar, argumentou que não houve prova da ocorrência do furto. De acordo com ele, o vídeo que circulou como evidência não foi devidamente periciado nem submetido à cadeia de custódia, o que levantou questões sobre a validade das provas apresentadas.

Detalhes do caso e ações da Polícia Militar

O caso ocorreu em fevereiro de 2023, no bairro Areias, Zona Sul de Teresina. Segundo a Justiça, o sargento usou uma chave falsa para entrar na casa, que ainda estava em construção, sem autorização e sem mandado judicial. Ele furtou um perfume e, ao sair, tentou danificar a câmera de segurança, cortando os fios de energia quando não conseguiu.

Em julho de 2023, outra viatura foi até o local. A vítima relatou que um policial encapuzado atirou contra a câmera de segurança, destruindo o equipamento. Ela também afirmou que, dias após o furto, outros policiais apontaram armas para o local da câmera e fizeram novos disparos.

As imagens das câmeras da casa e de vizinhos foram fundamentais para a condenação inicial. O Ministério Público afirmou que ficou comprovado que o sargento entrou sem autorização e cometeu o furto, com testemunhas e a escala de serviço confirmando o crime.

A Polícia Militar do Piauí (PM-PI) chegou a decidir pela expulsão do sargento Mota após a condenação, encaminhando a decisão para sanção do Governo do Piauí. Atualmente, o sargento segue na corporação em serviços internos até a conclusão do procedimento disciplinar.

Impacto e contexto do caso

Este caso levanta questões sobre a aplicação da justiça militar e a responsabilidade disciplinar dentro das forças de segurança. A conversão da pena criminal em infração disciplinar reflete um debate jurídico sobre a gravidade de crimes cometidos por agentes públicos em serviço.

A decisão do TJ-PI destaca a importância de processos judiciais rigorosos e a necessidade de equilibrar punições criminais com medidas disciplinares adequadas, especialmente em casos envolvendo pequenos valores e réus primários.

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