Professor da Unicamp é demitido por assédio sexual contra aluna menor em Limeira
Professor da Unicamp demitido por assédio sexual a aluna menor

Professor do Cotil é demitido pela Unicamp por assédio sexual contra aluna menor de idade

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aplicou a demissão de um professor do Colégio Técnico de Limeira (Cotil) após comprovação de assédio sexual praticado contra uma estudante menor de idade. A informação foi confirmada oficialmente pela Comissão Processante Permanente (CPP) da instituição, através de resposta obtida via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Conforme documentos oficiais, o processo administrativo foi instaurado em 2025 e concluído no início de 2026, resultando na penalidade máxima de demissão do docente. A presidente Administrativa do Núcleo Disciplinar da Unicamp, Claudia de Souza Alface, que assinou a decisão, justificou a medida pela gravidade dos fatos e pela necessidade de preservação da segurança e bem-estar da aluna.

Outros casos de assédio sexual na universidade

Este caso representa apenas um entre três processos administrativos instaurados na Unicamp envolvendo assédio sexual de professores contra estudantes nos últimos dez anos. Um levantamento realizado a pedido do g1 revelou os seguintes casos:

  1. 2018: Processo contra professor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), então com idade entre 35 e 39 anos, que teria constrangido múltiplas estudantes e egressas buscando favorecimento sexual através de sua hierarquia superior. O caso foi concluído com penalidade de suspensão por 90 dias.
  2. 2024: Processo em andamento contra docente do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), com idade entre 65 e 69 anos, investigando indícios de assédio sexual contra aluna menor de 18 anos.
  3. 2025-2026: O caso atual do Cotil que resultou em demissão.

Além desses, há outro processo envolvendo estudante menor de idade que ainda está em fase de apuração inicial.

Serviço de Acolhimento e Atendimento às Vítimas

A Unicamp mantém o Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVS), criado em 2019 após amplo debate na comunidade acadêmica. Este órgão tem como função principal:

  • Acolher vítimas de violência sexual
  • Orientar sobre direitos e procedimentos
  • Encaminhar para órgãos externos quando necessário
  • Auxiliar no encaminhamento de denúncias à Reitoria

Segundo dados do SAVS, há registro de mais um caso de assédio sexual ocorrido em dezembro de 2025 cuja apuração ainda não foi iniciada. O serviço funciona como porta de entrada sigilosa, onde as pessoas podem registrar queixas que não necessariamente se transformam em denúncias formais.

As vítimas que buscam o SAVS recebem apoio psicológico, orientação jurídica e podem solicitar ajustes acadêmicos para evitar contato com o agressor, incluindo mudanças de turma, sala de aula ou ambiente de trabalho. O objetivo é garantir que a pessoa consiga permanecer na universidade com segurança e dignidade.

Procedimentos Especiais para Menores de Idade

Nos casos que envolvem estudantes menores de idade, como nos colégios técnicos Cotil (Limeira) e Cotuca (Campinas), os procedimentos seguem regras específicas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Conforme explicado pela coordenação do serviço, nessas situações o encaminhamento é mais rápido e ágil, envolvendo obrigatoriamente comunicação com a família e, quando necessário, com o Conselho Tutelar. Quando envolve menor, a coisa é mais séria e tendo materialidade, então a coisa é bem mais ágil, afirmou uma das responsáveis pelo atendimento.

A equipe de assistência social pode atuar diretamente junto aos colégios técnicos para acompanhar os casos e articular atendimento com profissionais da própria unidade escolar.

Importância da Denúncia e Rede de Apoio

A diretora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante (SAPPE), Tânia Marin Vichi Freire de Mello, destacou que a denúncia interna à universidade é muito importante para que a universidade, como um todo, tenha conhecimento da situação.

Ela ressaltou que a violência sexual costuma ser um dos tipos de violência mais difíceis de comprovar, o que torna o acolhimento e a rede de apoio fundamentais para que as vítimas consigam buscar ajuda e proteção.

Além do SAVS, a Unicamp conta com espaços de acolhimento em todas as unidades, onde membros da comunidade treinados podem receber relatos iniciais e encaminhar os casos para serviços especializados. A universidade também promove rodas de conversa, campanhas educativas e produção de materiais informativos sobre prevenção e combate à violência sexual.

Como Buscar Ajuda na Unicamp

Professores, estudantes, pesquisadores, funcionários, terceirizados, estagiários e todos os usuários dos serviços da Unicamp podem fazer queixas no SAVS. O serviço atende os campi de Campinas, Limeira e Piracicaba, além dos colégios técnicos.

O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 17h30, mediante agendamento pelo e-mail savs@unicamp.br ou WhatsApp (19) 3521-7924. A universidade alerta que casos graves ou que envolvam violência física devem priorizar atendimento médico urgente no ambulatório do Hospital da Mulher da Unicamp (Caism) ou em serviços especializados.