Polícia Civil busca acesso a celulares de réus por estupro coletivo de adolescente no Rio
Polícia quer acessar celulares de réus por estupro coletivo no Rio

Polícia Civil busca acesso a celulares de réus por estupro coletivo de adolescente no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro está em busca de autorização judicial para acessar as informações contidas nos celulares dos réus acusados de participarem de um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, ocorrido em Copacabana, Zona Sul da capital fluminense. Segundo informações do delegado responsável pelo caso, nenhum dos acusados apresentou seus aparelhos móveis no momento da prisão, o que levou a corporação a solicitar formalmente a quebra do sigilo telefônico junto à Justiça do Rio de Janeiro.

Impasses judiciais podem ter prejudicado colheita de provas

O delegado Ângelo Lage, que comanda as investigações, revelou que a polícia tentou obter acesso aos dispositivos móveis no último sábado, dia 28, durante a operação que resultou na prisão dos até então foragidos. No entanto, apesar de visitar todos os endereços vinculados aos homens, os agentes não localizaram os aparelhos. Além das prisões, a polícia também havia solicitado medidas de busca e apreensão, mas até o momento não há decisão judicial sobre essas requisições.

Lage destacou que um impasse no plantão do judiciário carioca pode ter comprometido a coleta de evidências cruciais para o caso. Inicialmente, o plantão entendeu que a situação não configurava urgência, aproximadamente uma semana após a ocorrência do crime. O delegado relatou que, entre idas e vindas processuais, o caso foi transferido da vara responsável por avaliar violência doméstica para a que trata especificamente de crianças e adolescentes, o que pode explicar a demora na concessão dos mandados de prisão e apreensão.

"Se na primeira semana tivessem conseguido urgência do caso por meio do judiciário, a polícia teria um 'efeito surpresa'", afirmou Lage. Ele explicou ainda que, após a repercussão de um caso criminal, os envolvidos podem fugir e atuar para eliminar possíveis provas caso haja demora nas decisões judiciais.

Quatro réus já estão presos e defesas negam participação

Até o momento, quatro homens já estão presos em conexão com o caso. Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, e Bruno Felipe Alegretti, também de 18, se entregaram hoje à polícia no Rio de Janeiro, sendo os últimos considerados foragidos. Simonin se apresentou com um advogado na 12ª DP, em Copacabana, enquanto Bruno optou por se entregar em Belford Roxo. Ontem, Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19, e João Gabriel Xavier Bertho, 19, já haviam se entregado às autoridades.

Todos os quatro réus responderão pelo crime de estupro, com dois deles já encaminhados para a cadeia pública de Benfica, onde aguardarão o trâmite judicial. Um adolescente de 17 anos também está envolvido e responderá por ato infracional análogo ao mesmo crime.

As defesas dos acusados têm negado veementemente a participação no crime. Advogados de João Gabriel afirmaram ao UOL que "confiam que a Justiça, de forma isenta, irá apurar os fatos e decidirá pela improcedência da denúncia", acrescentando que seu cliente nega o estupro e não teve sequer oportunidade de ser ouvido pela polícia. O defensor de Vitor Hugo também negou a participação do réu, que é filho de um ex-subsecretário do governo do Rio de Janeiro, confirmando apenas que ele estava no apartamento, mas sem envolvimento no crime.

Detalhes do crime e novas vítimas

A adolescente de 17 anos procurou a polícia acompanhada de sua mãe, relatando ter sido violentada por cinco pessoas no dia 31 de janeiro, em um apartamento localizado em Copacabana. Segundo seu depoimento, ela foi convidada por um adolescente com quem teria tido uma relação anterior para se encontrarem. Ao chegar ao local, entrou no quarto do apartamento e começou a manter relações com ele quando, subitamente, outras quatro pessoas adentraram o ambiente.

Nesse momento, um dos adolescentes teria dito aos outros envolvidos que tinha "desenrolado" para que participassem. A jovem relatou à polícia que tentou sair da situação, mas não conseguiu, sendo agredida com puxões de cabelo e golpes na região abdominal enquanto os homens se revezavam nas agressões. Após as violências, já sangrando, a vítima conseguiu ir embora, sendo questionada se sua mãe a veria sem roupas e orientada a não mostrar os hematomas e o sangramento.

Horas depois do ocorrido, o adolescente enviou uma mensagem para a vítima com o conteúdo: "chegou bem kkkk". Além desse caso, outras duas jovens já relataram terem sido vítimas de estupro coletivo pelos mesmos réus, ampliando a gravidade das investigações.

Como denunciar violência sexual

Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, embora o exame de corpo de delito só possa ser realizado com o documento em mãos. Esse exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante processo judicial e pode ser feito a qualquer tempo após o crime, mas recomenda-se que seja realizado o mais próximo possível da data do ocorrido, já que algumas evidências podem desaparecer.

Em casos flagrantes de violência sexual, o número 190 da Polícia Militar é o mais indicado para denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados diretamente. O Ligue 180 recebe denúncias de violência doméstica (não casos em flagrante), além de orientar e encaminhar para os melhores serviços de acolhimento na cidade da vítima, podendo ser contactado também pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento em ginecologia e obstetrícia para receber medicação de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, atendimento psicológico e interrupção legal da gestação. Na prática, contudo, nem todos os hospitais realizam esse tipo de atendimento integral.