Três policiais militares são presos por roubo qualificado durante expediente
Três policiais militares foram presos nesta quinta-feira, 5 de setembro, acusados de roubarem onze aparelhos celulares de passageiros de um ônibus na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O crime ocorreu em maio do ano passado, enquanto os agentes estavam fardados e em pleno exercício de suas funções, conforme detalhado pelo Ministério Público.
Detalhes da abordagem ilegal
De acordo com as investigações, os três PMs pararam um ônibus que transportava comerciantes que haviam saído de São Paulo com destino a Vitória, no Espírito Santo. O veículo, com aproximadamente trinta passageiros, foi interceptado por uma viatura da Polícia Militar acompanhada por dois carros de passeio, próximo ao Arco Metropolitano no sentido Saracuruna, nas proximidades de Duque de Caxias, por volta das duas horas da madrugada.
Testemunhas relataram que a viatura policial não acionou sirenes nem luzes durante a abordagem, o que já despertou suspeitas entre os passageiros. Inicialmente, os policiais revistaram o bagageiro do ônibus sem encontrar nada irregular. Em seguida, entraram no veículo para revistar os passageiros, momento em que se apropriaram dos onze celulares pertencentes a dois comerciantes.
Justificativa falsa e recusa em levar às autoridades
Os policiais alegaram que os telefones foram apreendidos porque os donos não apresentavam notas fiscais. Quando os comerciantes solicitaram ser levados à delegacia para comprovar a legalidade dos aparelhos, os PMs se recusaram e levaram os celulares consigo. Posteriormente, durante as investigações, as vítimas apresentaram as notas fiscais, comprovando que haviam adquirido os dispositivos no bairro do Brás, em São Paulo, com a intenção de revendê-los em Campos dos Goytacazes, onde possuem lojas.
Uma das vítimas afirmou ter sofrido um prejuízo superior a R$ 100 mil com o roubo. Testemunhas relataram que tentaram contatar os vendedores em São Paulo para confirmar a legalidade da compra, mas os policiais ignoraram as tentativas de comprovação. "Quando eles viram os telefones... esquece. Pegou tudo. Todos os telefones. Eu liguei pro dono da mercadoria. Ele falou 'não, péra aí, eu tenho a nota'. Mas não adiantou nada. Tomaram tudo. Levaram todos os telefones", declarou uma testemunha.
Identificação dos acusados e recuperação parcial dos bens
Os PMs acusados são os sargentos Joás Ramos do Nascimento e Denis Willians Neres Alpoim, além do cabo Rogério Vieira Guimarães, todos lotados em uma unidade da Polícia Militar no Jardim Primavera, em Duque de Caxias. A investigação foi aberta pela Corregedoria da PM e encaminhada ao Ministério Público, que denunciou os três agentes por roubo qualificado no mês passado.
Até o momento, dois dos onze celulares roubados foram recuperados: um estava em uso por um dos policiais e outro pela esposa dele. A promotoria já identificou os possuidores dos outros nove aparelhos e irá intimá-los para a devolução dos bens. A investigação ainda não conseguiu identificar os quatro ocupantes dos dois carros de passeio que participaram do crime.
Dificuldades na investigação e evidências técnicas
O Ministério Público e a corregedoria enfrentaram dificuldades para identificar os policiais envolvidos porque eles não estavam utilizando as câmeras corporais durante o ocorrido. No entanto, o GPS da viatura serviu como prova crucial, mostrando que o veículo oficial estava no local e horário exatos do crime.
Possível ligação com outro caso similar
As investigações também apuram um possível caso anterior envolvendo outro ônibus que teria sido vítima de um grupo de policiais. Segundo relatos, aproximadamente um mês antes do roubo dos onze celulares, comerciantes que também viajavam para Campos dos Goytacazes foram abordados na altura de Seropédica por volta das 23h45 por policiais militares que teriam exigido a quantia de R$ 30 mil para não apreenderem uma carga de telefones celulares.
A TV Globo tentou contatar a defesa dos policiais presos, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria.
