Julgamento de policial militar por mortes em show sertanejo em Piracicaba ocorre após longa espera
O policial militar Leandro Henrique Pereira, acusado de matar duas pessoas e ferir outras três durante um show sertanejo em Piracicaba, no interior de São Paulo, em novembro de 2022, finalmente será submetido a julgamento nesta quarta-feira (11). O processo, que já acumulou sete adiamentos nos últimos anos, será realizado no Fórum de Piracicaba a partir das 9 horas.
Detalhes do caso e vítimas
O incidente ocorreu no Parque Unileste, onde os tiros disparados pelo PM resultaram na morte de Leonardo Victor Cardoso, de 25 anos, e Heloíse Magalhães Capatto, de 23 anos. Além das fatalidades, outras três pessoas, com idades entre 20 e 27 anos, ficaram feridas durante a confusão. O policial militar enfrenta acusações de dois homicídios com quatro qualificadoras e três tentativas de homicídio.
Durante a sessão do tribunal do júri, estão previstas a oitiva de 12 testemunhas e o interrogatório do réu, conforme informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP).
Histórico de adiamentos e conflitos processuais
O julgamento deste caso foi marcado por uma série de interrupções e adiamentos, totalizando sete suspensões até o momento. Em março de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a paralisação do júri pela quinta vez, aguardando o julgamento de um habeas corpus apresentado pela defesa.
Os conflitos no plenário foram frequentes. Em uma das sessões anteriores, os advogados de defesa abandonaram o local após desentendimentos com o promotor, levando o juiz a declarar o réu indefeso e a instaurar inquérito policial contra os defensores por desacato. A defesa alegou suposta inimizade do magistrado com o acusado e seus advogados, solicitando que ele fosse declarado suspeito.
Em junho de 2025, a Justiça determinou a troca do juiz responsável pelo processo e remarcou a data do julgamento. Anteriormente, em setembro de 2024, o júri foi cancelado após uma discussão sobre a proibição de gravações da sessão, quando a defesa insistiu em registrar o julgamento com aparelhos particulares, contrariando ordem judicial e gerando tumulto que exigiu a intervenção da Polícia Militar.
Versões sobre o incidente
De acordo com a denúncia do Ministério Público, os disparos ocorreram após Leonardo, uma das vítimas, intervir em uma briga envolvendo o PM de 25 anos, um amigo seu e uma terceira pessoa. Já a Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) concluiu que o motivo dos tiros foi um desentendimento após um empurra-empurra durante o show.
Ao finalizar as investigações, a corporação solicitou a prisão preventiva do policial militar que efetuou os disparos. Vale ressaltar que, por ser integrante da Polícia Militar, o acusado tinha porte de arma em qualquer lugar do território nacional.
Defesa apresenta novas alegações
Um dos advogados do réu informou que um parecer elaborado por peritos particulares, anexado ao processo, indica que Pereira não foi o autor de todos os disparos, com base em análises de trajetórias e confrontos balísticos. A defesa sustenta que o policial atirou apenas contra Leonardo, que estaria tentando tirar a arma dele.
Além disso, foi apresentada a tese de que havia um outro atirador no local, não identificado pelas investigações oficiais. Vídeos publicados em redes sociais mostram o momento dos tiros e a confusão que se seguiu no evento, com pessoas gritando "É tiro, é tiro" antes da imagem ser encerrada.



