Policial militar preso por agredir mulher é apontado como chefe de quadrilha de roubo de motos na Serra
O policial militar Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, que está preso desde fevereiro por agredir a própria esposa, também policial militar, foi identificado pela Polícia Civil do Espírito Santo como o suposto chefe de uma quadrilha especializada em roubo e furto de motocicletas na região da Serra, na Grande Vitória. A revelação ocorre após uma operação realizada nesta quinta-feira (5), que investiga a organização criminosa.
Operação Mácula desvenda rede criminosa
A operação, batizada de "Mácula", cumpriu seis mandados de busca e apreensão em diversos bairros da Serra, incluindo Barcelona, Porto Canoa, Enseada de Jacaraípe, Laranjeiras e Praia de Capuba. Na residência de Marcelo, os agentes apreenderam dois computadores que podem conter evidências importantes sobre as atividades ilícitas.
Segundo as investigações, o policial militar aliciava menores de idade para cometer os crimes, chegando a utilizar sua farda durante algumas ações. As motocicletas roubadas eram entregues a ele, passavam por adulterações e posteriormente eram anunciadas para venda em nome de terceiros, em um esquema bem estruturado.
Prisão inicial por agressão doméstica
Marcelo Ramos Araújo foi preso em flagrante no dia 21 de fevereiro, após ser flagrado agredindo a esposa no estacionamento de um supermercado em Jardim Camburi, Vitória. O episódio ocorreu logo após o desfile de um bloco de Carnaval. Na ocasião, o policial reagiu à prisão e ameaçou os agentes que o abordaram.
Ele foi autuado por lesão corporal, injúria e ameaça, todos enquadrados na Lei Maria da Penha, além de resistência e desacato. Desde então, o soldado está detido no presídio militar localizado no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Vitória.
Investigação que começou em 2024
A investigação sobre a quadrilha teve início ainda em 2024, após a prisão em flagrante de um jovem de 18 anos suspeito de receptação. A análise das conversas extraídas do celular do investigado confirmou sua participação na organização criminosa e apontou Marcelo como o líder do grupo.
A operação "Mácula" foi conduzida pela Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DRFV) em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar do Espírito Santo. O nome da operação faz referência ao termo que significa mancha ou desonra, em alusão direta à conduta do agente que, ao se envolver em práticas criminosas, compromete a imagem das instituições de segurança pública.
A Corregedoria da PM foi contatada para se pronunciar sobre o caso, mas não havia se manifestado até o momento da publicação desta reportagem. Da mesma forma, a defesa do policial militar não foi localizada para comentários.



