Policial militar influenciador digital é preso no Paraná sob acusações graves
O policial militar do Paraná Marcionilio Sancho Cambuhy Junior, conhecido nas redes sociais como o influenciador digital Sancho Loko, foi preso em flagrante na última terça-feira, 7 de abril de 2026, durante uma operação conduzida pelo Ministério Público do estado. A detenção ocorreu em Curitiba e está relacionada a suspeitas de crimes graves, incluindo tortura, lesão corporal, fraude processual e falsidade ideológica.
Perfil digital e atuação policial em foco
Com 44 anos de idade e integrante da Polícia Militar desde 2010, Sancho Loko acumula mais de 274.000 seguidores em seu perfil no Instagram. Na plataforma, ele se apresenta como um defensor do capitalismo e alinhado politicamente à direita, frequentemente divulgando conteúdo que apoia medidas violentas no combate ao crime. Em uma de suas publicações, ele declarou: "Se você pega o cara com um carro roubado, se o cara tentar a sorte e quiser puxar o canhão, é vala, é saco preto".
Além de sua atividade como influenciador, Sancho também aparece associado como um dos proprietários do Canil Sancho Skull, estabelecimento especializado na criação de cães da raça American Bully. Essa dupla faceta – policial e figura pública digital – agora está sob intenso escrutínio devido às acusações criminais.
Operação do Gaeco e apreensões significativas
A prisão foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. A operação teve como alvo quatro policiais militares, incluindo Sancho Loko. Durante as buscas, foram encontrados itens preocupantes:
- Munições irregulares e dinheiro em espécie nas residências de dois dos agentes investigados
- Porções de maconha, crack e cocaína em armários da unidade da Polícia Militar onde os suspeitos estão lotados
- Na casa de Sancho Loko, foram apreendidas duas granadas e munições irregulares
O advogado Claudio Dalledone, que representa o policial influenciador, contestou a gravidade das apreensões, afirmando nas redes sociais que as granadas são de efeito moral, "sem letalidade nenhuma", e classificou a prisão preventiva de seu cliente como "descabida".
Processo legal e posicionamento das instituições
Após ser detido, Sancho Loko passou por audiência de custódia, onde a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva. A Polícia Militar do Paraná, que participou da operação através da Corregedoria-Geral, emitiu uma nota informando que os quatro agentes estão sendo investigados por desvios de conduta praticados durante abordagens policiais realizadas em Curitiba.
Já o Ministério Público paranaense, em comunicado oficial, afirmou que os crimes de tortura, lesão corporal, falsidade ideológica e fraude processual teriam sido cometidos "de forma reiterada" pelos policiais alvo da operação. A promotoria destacou a seriedade das acusações e a necessidade de medidas rigorosas para preservar a integridade do sistema de justiça.
Este caso levanta questões importantes sobre a conduta de agentes públicos que também atuam como influenciadores digitais, especialmente quando seu conteúdo online promove narrativas que podem conflitar com os protocolos e valores institucionais. A investigação continua em andamento, com expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas.



