Policial militar recebe condenação por morte de criança durante operação
O policial militar Luis de Farias Pacheco foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão em regime fechado pelo homicídio qualificado da menina Hillary Souza Valadares, de apenas dois anos de idade. O caso, que chocou o município de Peruíbe, no litoral de São Paulo, ocorreu durante uma perseguição policial em fevereiro de 2019 e só chegou a esta sentença após anos de investigações e reviravoltas processuais.
Julgamento histórico no Fórum de Peruíbe
O julgamento ocorreu na quarta-feira, dia 4, no Fórum de Peruíbe, com o Tribunal do Júri previsto para se estender até quinta-feira, mas que foi finalizado ainda na noite do primeiro dia. O PM foi considerado culpado pelo crime de homicídio qualificado, conforme o artigo 33 do Código Penal, com a pena aplicada integralmente em regime fechado. Além da prisão, Luís será destituído do cargo público e arcará com todas as custas processuais do caso.
O magistrado responsável não fixou indenização para a família da vítima, pois não houve solicitação formal da acusação durante o processo, seguindo o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O policial não poderá recorrer da sentença em liberdade e deverá ser preso assim que o mandado de prisão e a guia de execução provisória forem expedidos.
Reconstituição do crime e desarquivamento do processo
Inicialmente, o caso havia sido arquivado pelo Ministério Público em 2020 devido à não identificação de um dos suspeitos envolvidos na perseguição. No entanto, a família de Hillary, insatisfeita com a decisão, contratou um perito particular para realizar uma reconstituição detalhada do crime. O laudo técnico apresentado apontou de forma conclusiva que o disparo fatal partiu da arma do policial militar Luis de Farias Pacheco, o que levou ao desarquivamento do processo e à retomada das investigações.
O episódio trágico aconteceu na noite de 12 de fevereiro de 2019, quando dois homens assaltaram uma mulher na porta de sua residência e fugiram com o veículo da vítima. O marido dela saiu em uma motocicleta atrás dos suspeitos e, ao encontrar um motorista que coincidentemente era um policial militar à paisana, pediu ajuda. No cruzamento das ruas Marília e Padre Vitalino, ocorreu uma intensa troca de tiros entre os policiais e os assaltantes.
Família inocente no local errado na hora errada
Enquanto isso, a família de Hillary retornava do supermercado e o pai da menina parou o carro para fazer algumas anotações, sem perceber que estava próximo ao local do confronto. Foi nesse momento que a criança, que estava no banco traseiro do veículo, foi atingida por um projétil na cabeça, vindo a falecer pouco depois. A morte da pequena Hillary gerou comoção nacional e levantou debates sobre o uso da força policial em operações urbanas.
A condenação do PM representa um marco na busca por justiça para a família Valadares, que aguardava há mais de cinco anos por uma resposta do sistema judiciário. O caso também serve como um alerta para a necessidade de maior controle e responsabilidade nas ações policiais, especialmente em situações que envolvem risco para civis inocentes.



