Operação Heavy Pen combate rede criminosa de medicamentos falsificados para emagrecimento
A Polícia Federal (PF) iniciou nesta terça-feira, 7 de maio, uma ampla operação para reprimir a entrada irregular no país, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal de medicamentos e insumos farmacêuticos destinados ao emagrecimento. A ação, denominada Heavy Pen, conta com o apoio fundamental da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem como objetivo principal desarticular grupos criminosos envolvidos em toda a cadeia ilícita desses produtos.
Alvo: as perigosas "canetas emagrecedoras"
Os agentes federais estão cumprindo 45 mandados de busca e apreensão distribuídos por onze estados brasileiros: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina. As investigações concentram-se especialmente nos produtos conhecidos como "canetas emagrecedoras", que contêm substâncias injetáveis de uso controlado.
Os principais alvos são medicamentos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados em tratamentos médicos para obesidade, mas que têm sido alvo de falsificação e comércio irregular. A operação também mira substâncias correlatas, como a retatrutida, que ainda não possui autorização para comercialização no território nacional.
Volume alarmante de insumos ilegais
Segundo dados apresentados pela Anvisa, o Brasil importou mais de 130 quilogramas de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) para a produção de tirzepatida apenas nos últimos seis meses. Este volume é considerado suficiente para a fabricação de aproximadamente 25 milhões de doses de canetas manipuladas de forma irregular no país.
Os IFAs são as substâncias ativas que dão origem aos medicamentos finais. No caso específico da tirzepatida, esse insumo serve como base para a produção das canetas utilizadas por pacientes em tratamentos legítimos, mas que têm sido desviadas para o mercado negro.
Anvisa anuncia endurecimento das regras
Diante dos números alarmantes, a Anvisa anunciou que vai revisar e endurecer as regras para a manipulação desses medicamentos em farmácias de manipulação. Uma atualização da norma que permite essa produção está prevista para ser divulgada no próximo dia 15 de abril.
Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, 6 de maio, a agência apresentou um diagnóstico detalhado sobre a circulação irregular de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. Esses fármacos são originalmente destinados ao tratamento de diabetes, mas ganharam popularidade no mercado ilegal devido aos seus efeitos no emagrecimento.
Riscos à saúde pública
A operação ganha ainda mais relevância diante dos graves riscos à saúde pública. Em fevereiro deste ano, foi revelado que o país já registrou seis casos de morte por pancreatite diretamente causados pelo uso de canetas emagrecedoras falsificadas. Além disso, mais de 60 óbitos estão relacionados ao consumo irregular desse tipo de medicamento, segundo investigações em andamento.
A Polícia Federal reforça que a operação Heavy Pen tem caráter contínuo e novas ações podem ser deflagradas conforme o andamento das investigações. A população é alertada sobre os perigos do consumo de medicamentos sem prescrição médica e fora dos canais oficiais de distribuição.



