Pai de jovem assassinada em SP fala sobre condenação: 'sensação de acalento, mas tristeza continua'
Pai de jovem assassinada em SP fala sobre condenação de criminosos

Pai de jovem assassinada em São Paulo comenta condenação de criminosos: 'sensação de acalento, mas tristeza continua'

Lucas Munhos, pai de Beatriz Munhos, a jovem de 20 anos assassinada com um tiro na cabeça durante um assalto na Zona Leste de São Paulo em novembro de 2025, expressou sentimentos contraditórios após a condenação de dois dos quatro homens presos pelo crime. Os réus receberam penas de 30 anos de prisão por latrocínio, que é o crime de roubo seguido de morte, enquanto outros dois suspeitos permanecem presos e respondem a um processo separado pelo mesmo delito.

'Acalento' e tristeza: o sentimento do pai

Em entrevista, Lucas Munhos descreveu a condenação como uma "sensação de acalento" por ver a justiça agir, mas ressaltou que a tristeza persiste. "Por ter acontecido algo, pela justiça ter agido de alguma maneira, mas, ao mesmo tempo, eu continuo triste. Eu só fico feliz por outras pessoas que não vão estar no caminho desses marginais por um bom período. Nada traz minha filha de volta. A tristeza continua, a sensação de impotência e tudo mais", declarou o pai emocionado.

Lucas destacou que ele e outros familiares estão "reaprendendo a viver" após a tragédia, enfatizando que as lembranças da filha carregam uma dor eterna. Pelas redes sociais, ele publicou um vídeo falando sobre o assunto, onde afirmou que "os reais condenados foram os que amavam a Beatriz". O pai ainda expressou esperança de que os outros dois homens envolvidos no caso também sejam responsabilizados judicialmente.

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Relembrando o caso: a emboscada fatal

Beatriz Munhos, natural de Sorocaba (SP), foi morta durante um assalto na capital paulista no dia 1º de novembro de 2025. A vítima viajou para São Paulo com o pai e o namorado para entregar um drone que havia sido negociado pela internet por R$ 27 mil. A jovem foi baleada na cabeça durante a abordagem de dois criminosos que haviam emboscado ela e sua família no bairro Sapopemba, na zona leste da cidade.

As negociações para a venda do drone ocorreram durante a manhã do dia do crime até as 16h, quando o suposto comprador fechou o negócio. Lucas, o namorado de Beatriz e ela mesma concordaram em fazer a entrega na capital e saíram de Sorocaba por volta das 17h30. Inicialmente, combinaram um local público próximo a um supermercado, mas o comprador alegou não poder ir até lá por estar sem carro e trabalhar em home office.

Os momentos finais: reação e tragédia

A família então se dirigiu a um endereço indicado pelo homem, chegando por volta das 20h. Enquanto esperavam, Lucas e o namorado ficaram fora do carro, com Beatriz e o equipamento dentro do veículo. Segundo relatos, duas pessoas em uma moto passaram olhando para eles, possivelmente atuando como "olheiros" para os criminosos.

Pouco depois, a dupla de suspeitos chegou também de moto e anunciou o assalto. "Eles abordaram a gente, a gente não reagiu, eu e o Leonardo [namorado de Beatriz]. Um deles pegou o meu telefone e aí o cara falou: 'passa o drone'. O Leo falou: 'pode levar, pode levar', e aí ele foi até o carro buscar o drone para eles. Nisso a minha filhinha tentou partir com o carro, mas o carro 'morreu'. Foi quando em um ato de bravura ela tentou usar algum spray contra o criminoso", contou Lucas em detalhes.

Após reagir ao assalto jogando spray de pimenta na direção de um dos criminosos, Beatriz foi baleada na cabeça. A dupla fugiu imediatamente após o crime. Lucas relatou que, depois do disparo, ele e o genro acionaram o resgate, mas Beatriz já estava com poucos sinais de vida e não resistiu aos ferimentos.

Justiça em andamento e luto permanente

O corpo de Beatriz foi velado e sepultado no Cemitério da Consolação, em Sorocaba. O caso foi registrado como latrocínio no 69º Distrito Policial de São Paulo, com câmeras de segurança capturando imagens do crime. Nas redes sociais, mensagens de apoio ao pai incluíam frases como: "É impossível encontrar palavras para lhe consolar. Beatriz era um anjo na terra e agora é um anjo no céu" e "Tem a justiça de Deus, forças".

A condenação dos dois primeiros réus representa um passo na busca por justiça, mas para Lucas Munhos e sua família, a perda permanece irreparável. O processo judicial continua com os outros dois suspeitos, enquanto a memória de Beatriz é mantida viva por aqueles que a amavam.

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