Operação Smoke: Fiscalização Municipal Interdita Estabelecimentos em Prédio Comercial de Cuiabá
Um prédio comercial localizado na Avenida Canadá, no Bairro Santa Rosa, em Cuiabá, que é alvo da Operação Smoke, teve três estabelecimentos interditados nesta quarta-feira (4) durante uma ação conjunta de fiscalização. A operação policial investiga advogados e um bacharel em direito suspeitos de prometer decisões judiciais favoráveis a presos na capital mato-grossense.
Irregularidades Encontradas Pelas Equipes de Fiscalização
Equipes da Secretaria Municipal de Ordem Pública, da Vigilância Sanitária e do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) Municipal realizaram a vistoria no local. Conforme a Prefeitura de Cuiabá, todos os estabelecimentos interditados apresentavam algum tipo de irregularidade:
- Clínica de estética: Flagrada operando sem alvará sanitário e em condições consideradas inadequadas. O estabelecimento também não apresentou alvará de localização e funcionamento, alvará de publicidade e o Certificado de Segurança Contra Incêndio e Pânico, documento emitido pelo Corpo de Bombeiros. A empresa é reincidente e não protocolou pedido de regularização nos anos de 2025 e 2026.
- Espaço para realização de eventos: Encontrado funcionando sem autorização do poder público municipal nos fundos do prédio. Havia um evento programado para o sábado (7), com ingressos sendo vendidos, mas sem a licença especial exigida pela legislação municipal sobre poluição sonora. O local foi interditado e o responsável notificado.
- Esmaltaria: Autuada pelo Procon após fiscais encontrarem esmaltes vencidos sendo utilizados no atendimento aos clientes. Os produtos foram apreendidos e um processo administrativo foi aberto para apurar a infração.
De acordo com a prefeitura, os estabelecimentos permanecerão interditados até que todas as exigências legais sejam cumpridas integralmente.
Contexto da Operação Smoke e Investigados
A Operação Smoke, conduzida pela Polícia Civil, tem como alvos os investigados Gustavo Barros dos Santos, Dimas Pimentel Barroso e Liomar Santos de Almeida. As investigações apontam que o grupo abordava familiares de detentos e garantia decisões favoráveis, alegando possuir influência com membros do Judiciário, exigindo pagamentos elevados.
Em nota, a defesa de Liomar negou as acusações, esclarecendo que não possui relação com o caso e que Dimas foi estagiário em seu escritório até 2023, sem contato desde então. A defesa informou não ter tido acesso integral ao processo.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) acompanhou a operação através do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) e informou que o caso será avaliado pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para as medidas cabíveis.
Medidas Cautelares e Quebras de Sigilo na Operação
Na ação desta quarta-feira, foram cumpridos:
- Três mandados de busca e apreensão nos Bairros Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó.
- Três mandados de imposição de medidas cautelares diversas, incluindo:
- Comparecimento periódico em juízo
- Proibição de contato com outros investigados e testemunhas
- Proibição de ausência da comarca sem autorização judicial, com entrega do passaporte
- Monitoramento eletrônico com uso de tornozeleira
- Nove ordens de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático, visando aprofundar a análise da movimentação financeira e conversas dos investigados.
Segundo a polícia, as negociações ocorriam por meio de encontros presenciais e aplicativos de mensagens, com orientação para manter absoluto sigilo. As medidas buscam identificar a origem e destino do dinheiro supostamente obtido e a dinâmica do grupo.



