Mulher de 50 anos é assassinada durante visita ao pai acamado no Rio Grande do Sul
Uma pessoa querida e de convivência harmoniosa com todos ao seu redor. Assim era descrita Maria Helena de Souza, de 50 anos, vítima de um homicídio brutal no último sábado (21) em Igrejinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A mulher foi morta com um tiro de espingarda enquanto visitava o pai acamado, de 66 anos, conforme informações da Polícia Civil.
Perfil da vítima: mãe dedicada e avó presente
Representante comercial, Maria Helena era mãe de dois filhos: Ahmanda, de 28 anos, e Matheus, de 21. Segundo familiares e amigos, ela vivia intensamente os papéis de mãe e avó, construindo sua vida em torno de duas prioridades fundamentais: a família e a vontade de estar presente em cada detalhe do cotidiano das pessoas que amava.
"Eu não conhecia ninguém que não gostasse dela, ou que falasse mal, ou que tivesse qualquer tipo de interpretação errada", destacou o genro, Thiago Tormes, em entrevista.
Nascida em Taquara, Maria Helena era conhecida por sua energia contagiante e por seu desejo constante de alegrar as pessoas ao seu redor. "Tinha uma energia incrível onde chegava, estava sempre falando alto, tentando prender atenção de todo mundo. De uma forma positiva, para alegrar as pessoas", lembrou Thiago.
Relação familiar marcada por amor e proteção
O genro descreveu a relação de Maria Helena com os filhos como um vínculo forte, por vezes superprotetor, mas sempre movido por afeto genuíno. "Com Matheus ela era superprotetora, de uma forma assim que eu até brincava com ela: 'Helena, teu filho não vai conseguir sair do ninho'. Só que ela tinha esse negócio, esse amor assim de ter ele sempre perto", relembrou.
Com a filha Ahmanda, o cuidado não era diferente. Quando a filha foi morar com Tormes, a mãe não escondia o impulso de acompanhar de perto. "Ela estava sempre lá [na casa], visitando a gente, ajudando a cuidar da gente", contou.
O carinho se estendia aos dois netos, que ocupavam um lugar especial na rotina da avó. Maria Helena fazia questão de participar ativamente da vida dos netos, mesmo que fosse apenas para um café rápido no meio da tarde: "Largava tudo para estar lá".
Últimos momentos antes da tragédia
Apenas dois dias antes do crime, mãe e filha tiveram seu último momento de conexão durante uma saída despretensiosa para uma padaria. "A Ahmanda ligou para ela, foram tomar um café na padaria, se divertir, dar risada e foi o último momento que eles tiveram de conexão", relatou Thiago.
O corpo de Maria Helena foi velado na Capela Mortuária Martim Lutero, em Igrejinha, e sepultado por volta das 11 horas no Cemitério Ecumênico Parque das Araucárias, em Canela.
Detalhes do crime e prisão da suspeita
A principal suspeita do homicídio é a madrasta da vítima, Lurdes de Fátima de Lima Maurina, de 63 anos, que foi presa na segunda-feira (23) após fugir para Santa Catarina. Segundo a investigação policial, Lurdes teria ficado contrariada com a visita de Maria Helena ao pai da vítima.
De acordo com o boletim de ocorrência, integrantes da Brigada Militar foram enviados ao endereço após uma denúncia de disparo de arma de fogo. Quando chegaram ao local, acompanhados pelos Bombeiros Voluntários, encontraram a vítima caída no chão, já sem vida.
Conforme a polícia, após um desentendimento entre as duas mulheres, a suspeita teria seguido até um dos quartos da casa, onde pegou uma espingarda calibre 12 e efetuou um disparo contra a enteada. O filho mais novo da vítima estava com a mãe no momento do crime, segundo o delegado Ivanir Caliari, responsável pelo caso.
Fuga e apreensão da arma
Após o tiro, Lurdes teria fugido pelos fundos da residência, em direção a um matagal. Buscas foram realizadas nas áreas próximas, mas ela não havia sido localizada inicialmente. A arma utilizada no crime foi apreendida pela Polícia Civil.
O pai acamado da vítima passou para os cuidados da família após o incidente. A cena do crime foi isolada para a atuação da perícia, e o caso será investigado pela Polícia Civil de Igrejinha.



