Mototaxistas são presos por agredir foliões com socos e injúrias homofóbicas em Salvador
A Polícia Civil de Salvador prendeu nesta terça-feira (17) dois irmãos mototaxistas, de 28 e 31 anos, suspeitos de agredir violentamente foliões durante o Carnaval da capital baiana. Os homens, que não tiveram os nomes divulgados, cumpriram mandados de prisão preventiva e são investigados por três crimes: lesão corporal grave, exercício arbitrário das próprias razões e injúria racial, enquadramento legal para homofobia desde 2019.
Violência durante transporte após festa
O episódio ocorreu no dia 18 de fevereiro, quando as vítimas saíam da folia e contrataram o serviço dos mototaxistas para serem levadas até o bairro Cabula VI. Ao chegarem ao destino, acertaram o pagamento de R$ 50 para cada condutor, mas um dos foliões percebeu que seu celular estava descarregado e não conseguiria realizar a transferência via Pix imediatamente.
"Eu disse: 'Oh brother, meu celular está descarregado. Tenho que subir rapidinho para colocar uma carguinha e te pagar'. Automaticamente eles já me agrediram. 'Está me fazendo de otário, veado da desgraça'", relatou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.
Agressões registradas e interrompidas por vizinho
O crime foi capturado por câmeras de segurança da região, mostrando os foliões sendo atingidos por chutes e socos. Um dos suspeitos chegou a ameaçar jogar uma pedra contra uma vítima, mas foi impedido pelo próprio irmão e por um morador local que testemunhou a situação. As agressões só cessaram após a intervenção desse vizinho, que realizou o pagamento devido, permitindo posterior identificação dos agressores pela polícia.
Vítimas enfrentam sequelas físicas e emocionais
Quase um mês após o ataque, uma das vítimas revelou em entrevista à TV Bahia que ainda enfrenta sérias dificuldades para retomar sua rotina. O homem passou por cirurgia no maxilar e permanece com a região imobilizada, utilizando elásticos que limitam seus movimentos bucais e o obrigam a manter dieta líquida.
"Não posso mexer o maxilar de forma alguma. Estou com a boca travada. Para comer, só líquido, por canudo. Só tiro a borracha para higienizar e logo tenho que colocar novamente", descreveu o agredido, que também precisa evitar exposição solar, esforço físico e movimentos bruscos durante a recuperação.
Impacto psicológico e financeiro significativo
Além das limitações físicas, o homem destacou o profundo trauma emocional causado pela violência, afirmando que ainda não se sente preparado para atividades cotidianas como ir à praia, ao shopping ou ao supermercado. "Não retomei minha vida. Não estou com a mente pronta para sair para distrair a mente", confessou.
A situação também gerou prejuízos financeiros consideráveis, com a vítima estimando gastos superiores a R$ 700 com exames, deslocamentos e medicamentos, além dos custos contínuos do tratamento. Desde o ocorrido, ele permanece sem trabalhar, enquanto seu amigo, também agredido, mudou-se do local onde residia.
Suspeitos encaminhados ao sistema prisional
Após as prisões, os irmãos mototaxistas foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça. A vítima expressou esperança de que os agressores não fiquem impunes, ressaltando o risco que representam para a sociedade. "Estou esperando a justiça ser feita, mas que os agressores não fiquem impunes. É um risco de estarem na sociedade", declarou.
