Justiça mantém condenação contra cantor Bruno Mafra por estupro de vulnerável
O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) confirmou, por unanimidade, a condenação do cantor Bruno Mafra a 32 anos de prisão em regime fechado pelo crime de estupro de vulnerável continuado contra duas crianças. A decisão foi tomada na última quinta-feira (26) pela 1ª Turma de Direito Penal, mantendo a sentença anterior.
Vítima denuncia ameaças de morte após decisão judicial
Neste domingo (29), Melissa Apriggio, uma das vítimas do cantor, utilizou suas redes sociais para denunciar que vem sofrendo ameaças de morte. "Torno público que venho sendo alvo de ameaças de morte, situação que configura conduta criminosa de extrema gravidade", afirmou a jovem. Ela esclareceu que todas as medidas legais cabíveis já estão sendo adotadas e comunicadas às autoridades competentes.
Melissa destacou que sua história foi devidamente apurada pelo Poder Judiciário, resultando na condenação reconhecida pela Justiça. O g1 entrou em contato com as Polícias Civil e Militar, além da Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup), solicitando um posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Longa batalha por justiça e luto emocional
Na noite de sexta-feira (27), Melissa se pronunciou publicamente sobre a decisão judicial, expressando o "luto de enterrar um genitor em vida". Em vídeo, ela compartilhou a extensa batalha por justiça, revelando que foram 7 anos de luta para obter uma resposta após os crimes serem denunciados em 2019, anos após os abusos ocorrerem.
"Foram anos de luta e hoje eu vivo um luto, porque hoje eu enterrei o meu genitor", relatou a jovem, emocionada. O pronunciamento ocorreu logo após a confirmação unânime da condenação pelo TJPA.
Detalhes do caso e fundamentação da condenação
Bruno Mafra, conhecido como vocalista da banda Bruno e Trio, foi condenado por estupro de vulnerável continuado contra duas crianças. Segundo a denúncia, os crimes ocorreram entre 2007 e 2011, quando as vítimas tinham 5 e 9 anos de idade. O caso veio a público apenas em 2019, quando foi formalmente denunciado.
O processo corre sob sigilo judicial, e o julgamento em segunda instância foi realizado na quinta-feira (26). A relatora do caso, desembargadora Rosi Gomes, destacou que os relatos das vítimas foram consistentes e descreveram abusos que envolviam:
- Isolamento das crianças
- Manipulação psicológica
- Exibição de material pornográfico
- Atos libidinosos, incluindo sexo oral, ocorridos pelo menos três vezes
Os depoimentos foram corroborados por familiares das vítimas, incluindo a mãe, a avó materna e um tio, além de um laudo sexológico que confirmou a materialidade do crime.
Defesa do cantor e próximos passos processuais
A defesa de Bruno Mafra, representada pelo escritório Filipe Silveira, pedia a absolvição por insuficiência de provas, mas o recurso foi negado pelo tribunal. Em nota oficial, os advogados informaram que o processo ainda está em curso e que serão adotadas as medidas recursais cabíveis.
A defesa sustenta a existência de "relevantes violações ao devido processo legal, com potencial comprometimento da validade jurídica dos atos processuais e da própria decisão proferida". Os advogados também registraram preocupação com a divulgação de informações de um processo que tramita sob sigilo, "circunstância que, em tese, exige rigorosa observância das restrições legais de acesso e divulgação".
O caso continua sob acompanhamento das autoridades, enquanto a vítima busca proteção contra as ameaças recebidas após a decisão judicial que confirmou a condenação do cantor.



