Ator José Dumont é preso após condenação por estupro de vulnerável; funcionários de condomínio foram cruciais
José Dumont preso por estupro de vulnerável; funcionários foram fundamentais

Ator José Dumont é preso após condenação por estupro de vulnerável; funcionários de condomínio foram cruciais

O ator José Dumont foi preso nesta terça-feira, dia 3, após ser condenado por estupro de vulnerável. A sentença judicial destaca que a atuação da síndica e dos porteiros do condomínio onde o artista residia foi fundamental para que os abusos cometidos contra um menino de 14 anos fossem descobertos e denunciados às autoridades policiais.

Vigilância do condomínio revela abusos

Segundo o processo judicial, os funcionários do prédio perceberam movimentações incomuns entre o ator e o adolescente e decidiram revisar as imagens das câmeras de segurança internas. As gravações revelaram beijos na boca e apalpamentos praticados por Dumont, o que motivou a notificação imediata à polícia — prova que se tornaria peça central na condenação do réu.

De acordo com a sentença, o porteiro noturno foi o primeiro a notar que havia "uma movimentação estranha" entre Dumont e o menor. No dia seguinte, ele comunicou o fato ao porteiro-chefe, que decidiu revisar as imagens. Ao assistir às gravações, o porteiro-chefe confirmou que o ator "apalpava e beijava o menor", reconhecendo que se tratava da mesma criança vista em dias diferentes ao lado de Dumont.

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Síndica aciona autoridades após ver gravacões

A sentença relata que a síndica foi acionada pelo porteiro-chefe e também assistiu às imagens. Ao constatar o conteúdo, ela descreveu que nas gravações é possível ver que Dumont "puxa o menino, passa a mão pelas costas, desce a mão no corpo todo, se aproxima e beija" — segundo ela, "um beijo na boca". Diante da gravidade do material, a síndica procurou imediatamente o corpo jurídico do condomínio e comunicou os fatos à autoridade policial, dando início à investigação criminal.

Imagens são determinantes para condenação

O magistrado responsável pela sentença, Daniel Werneck Cotta, afirma que as gravações foram conclusivas ao confirmar os atos libidinosos. Segundo o laudo citado, em 30 de julho de 2022, o ator "beija o menino na boca"; já no dia 1º de agosto, Dumont "apalpa nádegas, mamilos e pênis (com um tapa) do menino; tudo por cima das roupas", além de beijá-lo novamente na boca.

O juiz enfatiza que as imagens contradizem totalmente a versão do ator — que alegou ter beijado o garoto no rosto por afeto — e reforçam a credibilidade do depoimento da vítima. O papel ativo da síndica e dos porteiros foi interpretado pelo juiz como essencial para interromper um ciclo que, segundo o depoimento do adolescente, já vinha ocorrendo havia semanas.

Condenação e pena aplicada

Com base no que foi considerado um conjunto robusto de provas — incluindo as imagens coletadas pelo condomínio — José Dumont foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, por dois crimes de estupro de vulnerável em continuidade delitiva. O juiz fixou pena inicial acima do mínimo legal, citando a culpabilidade acentuada e a forma como o ator "premeditadamente" se aproximou do menino.

Após aplicação da atenuante de idade (réu tem mais de 70 anos), e do aumento pela continuidade delitiva, a pena final chegou a 9 anos e 4 meses de reclusão, em regime fechado. O juiz também estabeleceu que o ator deverá pagar um mínimo de R$ 10 mil para a vítima, a título de indenização por danos morais.

Estratégia de aproximação e material apreendido

O documento relata que a aproximação entre Dumont e o menino começou após o garoto reconhecê-lo como ator. A vítima contou que passou a receber presentes e dinheiro do réu e que era frequentemente chamada para encontrar o ator na portaria do condomínio. Em seu depoimento, o menino relatou que os atos se repetiram diversas vezes, e que o ator pedia para que ele não contasse a ninguém, chamando o que acontecia de "nosso segredinho".

Durante busca e apreensão na casa do ator — determinada durante o processo — foram encontradas mídias com pornografia infantil, fato mencionado pela magistrada como indicativo de uma "personalidade compatível" com os delitos investigados, embora esse material seja objeto de outra ação penal.

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Defesa e considerações finais

A defesa argumenta que os atos atribuídos ao réu não configurariam crime, sustentando que não haveria natureza sexual nas interações entre Dumont e o menor. Segundo os advogados, os gestos vistos nas imagens seriam manifestações de afeto, e não atos libidinosos. A sentença, entretanto, afirma que a narrativa da vítima foi "clara, coerente e sem indícios de sugestionamento", sendo corroborada por todo o conjunto de provas.

Sem a iniciativa dos funcionários do prédio, destaca a sentença, os abusos dificilmente teriam sido revelados, já que o menino não contou espontaneamente à família, por vergonha. A TV Globo entrou em contato com a defesa do ator, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.