Em dezembro de 2024, o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, conseguiu fugir do presídio de Eunápolis, no sul da Bahia. Condenado a 68 anos de prisão por tráfico de drogas e homicídios, ele permanece foragido. O programa Fantástico revelou detalhes do caso, incluindo uma delação premiada que menciona figuras políticas de peso.
Delação aponta pagamentos e envolvimento político
Em depoimento ao Ministério Público da Bahia, a ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, afirmou que o esquema para facilitar a fuga de Dada envolvia o então deputado federal Udorico Júnior e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Segundo ela, o valor combinado era de R$ 2 milhões, inicialmente R$ 3 milhões, e o dinheiro seria destinado a Udorico e Geddel. "Quem receberia eram Udorico e Geddel. Mas eu não posso afirmar que eles receberam a totalidade", declarou Joneuma, que atualmente cumpre prisão domiciliar.
Defesas negam acusações
A defesa de Geddel Vieira Lima classificou a delação como "insustentável" e afirmou que o ex-ministro "jamais teve qualquer participação ou ciência dos fatos". Já os advogados de Udorico Júnior, que foi preso na semana passada, negam as acusações e sustentam que ele não participou do plano de fuga nem recebeu dinheiro. Segundo eles, as declarações da delatora são falsas.
Relações dentro do sistema prisional
As investigações revelam uma rede de influência dentro do presídio. Promotores apontam que Udorico teria influenciado na nomeação de Joneuma para a direção da unidade em 2024. Além disso, a ex-diretora manteve vínculos pessoais com o ex-deputado e, supostamente, com o próprio Dada, o que ela nega. Mesmo após a fuga, há indícios de que o traficante continuou exercendo influência e mantendo uma rede de apoio estruturada.
Trajetória do traficante após a fuga
Depois de escapar, Dada deixou a Bahia e se refugiou no Rio de Janeiro, onde se aliou ao Comando Vermelho. Investigadores afirmam que ele se estabeleceu na Rocinha e também circulou pelo Vidigal, em áreas de difícil acesso. Relatórios indicam que o criminoso manteve atividades ligadas ao tráfico e fortaleceu conexões entre facções de diferentes estados. No sul da Bahia, Dada é apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção envolvida em disputas armadas, execuções e imposição de toque de recolher. No Rio, sua presença e a de aliados intensifica o intercâmbio entre organizações criminosas, com troca de estratégias e aumento do poder bélico. Investigadores destacam que esse tipo de conexão acelera a disseminação de táticas violentas entre estados, elevando o desafio para as forças de segurança.



