Impacto da Guerra no Irã nos Custos da Construção Civil Brasileira
A escalada do conflito no Irã está pressionando os custos da construção civil no Brasil, com reflexos em materiais, fretes e no planejamento das obras. Apesar do aumento, não há sinais imediatos de desabastecimento, segundo o setor.
INCC-M Acelera em Abril
Dados recentes do FGV Ibre mostram que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acelerou para 1,04% em abril, após alta de 0,36% em março. Esse movimento está associado à disparada do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e logística global. A inflação preocupa construtoras de incorporação imobiliária a obras de infraestrutura.
Pressão sobre os Preços dos Insumos
O barril de petróleo Brent se aproxima de US$ 115, com a deterioração das relações entre EUA e Irã e ameaças no estreito de Hormuz. Os principais aumentos em abril ocorreram em massa de concreto, cimento, tubos e conexões de PVC (derivados de petróleo), além de vergalhões e arames de aço. O alumínio atingiu o maior preço em quatro anos, já que o Oriente Médio responde por 9% da oferta global do metal.
Reação do Mercado e do Governo
Analistas do BTG Pactual, Itaú BBA e Santander apontam que os custos pós-guerra podem afetar as perspectivas do setor. O principal risco é que incorporadoras elevem os preços dos imóveis, impactando a demanda. Em abril, dez entidades da construção civil enviaram ofícios ao governo pedindo medidas emergenciais, como a criação de um normativo temporário para reajustes contratuais.
Impacto no Frete e na Cadeia Produtiva
O preço do diesel também está em alta, elevando o valor do frete e pressionando toda a cadeia. O governo federal criou medidas para conter a alta, como isenção de impostos e incentivo à importação. No entanto, o setor descarta uma crise de oferta como na pandemia, pois as fábricas estão operando.
Desafios de Planejamento e Estoques
A volatilidade internacional dificulta o planejamento financeiro das empresas. A construção civil tem baixa capacidade de estocagem, mas empresas com maior caixa estão antecipando compras. Os custos atuais ainda não afetam os imóveis em entrega, mas já alteram a conta de novos projetos, podendo encarecer futuros lançamentos.
Segundo o SindusCon-SP, as construtoras têm resistido a reajustes sem comprovação e buscado equilíbrio nos preços, redobrando a atenção ao planejamento diante da volatilidade.



