Ex-sargento do trisal é absolvido novamente pela morte de adolescente de 13 anos no Acre
Ex-sargento do trisal absolvido novamente por morte de adolescente

Ex-sargento do trisal é absolvido novamente em caso de morte de adolescente de 13 anos

O ex-sargento da Polícia Militar do Acre (PM-AC) Erisson de Melo Nery, conhecido por integrar um trisal, foi absolvido novamente pela morte do adolescente Fernando de Jesus, de 13 anos, ocorrida em 2017. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (5) na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, após anulação da sentença anterior que condenava o ex-militar a oito anos de prisão.

Novo julgamento após anulação por irregularidades

O advogado Janderson Soares, que atua na defesa de Nery, explicou ao g1 que o novo júri popular foi marcado após recurso bem-sucedido junto ao Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). Em maio de 2025, os desembargadores da Câmara Criminal anularam a condenação anterior por reconhecerem nulidades graves no processo.

"Esse novo júri é uma oportunidade do caso ser devidamente resolvido a partir de um julgamento justo e sem ilegalidades", afirmou o advogado. A defesa alegou que o Ministério Público do Acre (MP-AC) utilizou provas que não constavam nos autos, violando o contraditório e a ampla defesa.

Repercussões emocionais do caso

Ângela Maria de Jesus, mãe do adolescente assassinado, manifestou confiança na condenação do ex-sargento durante o novo julgamento. "Dessa vez, que pegue uma pena maior", declarou a mãe, que acompanha o caso desde a morte do filho.

Na condenação anterior, anulada pelo TJ-AC, a sentença havia apresentado aumento de um terço na pena pelo fato do crime ter sido cometido contra pessoa menor de 14 anos. A decisão judicial destacou que a vítima, aos 13 anos, encontrava-se em pleno desenvolvimento físico, psicológico e social, e que o homicídio trouxe profundas consequências emocionais para sua família.

Detalhes do crime e andamento processual

Conforme a denúncia, na manhã de 24 de novembro de 2017, Nery matou o adolescente com pelo menos seis tiros no Conjunto Canaã, bairro Areal, em Rio Branco. O ex-sargento alegou que agiu em legítima defesa após o adolescente tentar furtar sua residência.

O processo também envolveu o colega de farda Ítalo de Souza Cordeiro, acusado de fraude processual por supostamente ter ajudado a alterar a cena do crime. Cordeiro foi absolvido na mesma decisão que condenou inicialmente Nery.

O julgamento desta quinta-feira contou com cinco testemunhas arroladas pelo Ministério Público e dez pela defesa, iniciando às 8h e estendendo-se por todo o dia. Nery já respondia ao processo em liberdade e mantém essa condição após a absolvição.

Contexto do ex-sargento

Erisson Nery ganhou notoriedade por integrar um trisal com a PM Alda Radine e a administradora Darlene Oliveira. O ex-militar já havia cumprido quase dois anos de prisão com tornozeleira eletrônica antes de ter a prisão revogada. Seu pedido para voltar à Polícia Militar foi negado anteriormente.

Em entrevista exclusiva ao g1, a mãe de Fernando relatou que, mesmo sendo dependente químico, o adolescente nunca foi agressivo, não estava armado no momento do ocorrido e tinha porte de criança, não apresentando perigo ao ex-policial.