Ex-marido de PM morta com tiro na cabeça depõe e nega suicídio em caso suspeito de feminicídio
Ex-marido de PM morta depõe e nega suicídio em caso suspeito

Ex-marido de policial militar morta com tiro na cabeça presta depoimento e contesta versão de suicídio

Nesta sexta-feira (13), o ex-marido da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana compareceu à Polícia Civil de São Paulo para prestar depoimento sobre o caso da morte da ex-esposa, ocorrida em 18 de fevereiro. Acompanhado pelo advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família da policial, ele afirmou que Gisele nunca demonstrou qualquer intenção de cometer suicídio durante o tempo em que estiveram juntos.

Relação conturbada e medo do atual marido

Segundo o advogado, o ex-marido, cujo nome não foi divulgado por questões de segurança, revelou que mantinha uma amizade com Gisele após o término do relacionamento, mas que eles se afastaram devido aos ciúmes do atual marido dela, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. "Ele informou também ter medo de Geraldo", destacou Silva Júnior. A filha que o ex-marido teve com a soldado, que residia com ela, agora deve ficar sob sua guarda, e ele comentou no depoimento que Geraldo não gostava da criança.

Do suicídio à morte suspeita: investigação ganha novos contornos

Gisele foi encontrada morta no apartamento onde morava com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no bairro do Brás, região central da capital paulista. Inicialmente registrado como suicídio, o caso foi reclassificado como morte suspeita após pressão da família, que apresentou relatos de uma relação tóxica e contestou a hipótese de autoextermínio. A Justiça determinou a redistribuição do processo para a Vara do Júri, por entender haver indícios de crime doloso contra a vida, incluindo a possibilidade de feminicídio.

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Laudos periciais reforçam dúvidas sobre a versão inicial

Exames realizados pela Polícia Técnico-Científica levantaram questões significativas sobre a narrativa de suicídio:

  • Marcas de unhas e arranhões no pescoço da policial, além de lesões contundentes no rosto.
  • Sinais de disparo à queima-roupa e a arma ainda estava na mão da vítima, fato incomum em casos de suicídio.
  • Laudo residuográfico não detectou pólvora nas mãos de Gisele ou de Geraldo, gerando estranheza.
  • Trajetória do tiro foi de baixo para cima, e peritos encontraram marcas de sangue no banheiro, embora o corpo tenha sido localizado em outro cômodo.

Além disso, agentes que atenderam a ocorrência estranharam que Geraldo afirmou ter ido tomar banho, mas estava com o corpo seco quando as autoridades chegaram. Câmeras de segurança do prédio registraram que ele telefonou para um desembargador amigo, que foi ao local antes do banho do coronel.

Família e defesa pressionam por prisão preventiva

O advogado José Miguel da Silva Júnior criticou o andamento lento da investigação e defendeu que já existem elementos para pedir a prisão preventiva do tenente-coronel. "Nós não acreditamos na possibilidade de suicídio. O mais provável é que ela tenha sido assassinada", afirmou. A família alega que há várias testemunhas com medo de Geraldo e que houve alteração da cena da morte.

Investigações paralelas e pendências

Paralelamente à apuração da Polícia Civil, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) após receber denúncias anônimas sobre uma relação marcada por ameaças e instabilidade emocional atribuídas ao tenente-coronel. Ainda aguardam juntada ao inquérito o laudo toxicológico, para verificar se Gisele consumiu substâncias, e o laudo do local da morte com registros fotográficos. O corpo da soldado chegou a ser exumado para novos exames, reforçando as dúvidas sobre as circunstâncias do óbito.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto se afastou do trabalho após a morte da esposa e só falou uma vez, no registro inicial da ocorrência. A defesa dele não respondeu aos contatos da reportagem. As investigações continuam em andamento, com peritos e investigadores se reunindo nesta quarta (11) para tratar do caso, que permanece envolto em mistério e suspeitas.

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