Dono da 'Choquei' é suspeito de receber altos valores de MC Ryan SP em esquema bilionário
Dono da 'Choquei' suspeito de receber valores de MC Ryan SP

Dono da página 'Choquei' é preso em operação da PF suspeito de integrar esquema bilionário

O influenciador digital Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, proprietário do famoso perfil 'Choquei' nas redes sociais, foi preso nesta quarta-feira (15) durante uma operação da Polícia Federal em Goiânia. A ação, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e transações ilegais superiores a R$ 1,6 bilhão, aponta Oliveira como "operador de mídia" do grupo, recebendo altos valores dos investigados.

Publicações exaltando MC Ryan SP antecederam prisão

Documentos da Justiça Federal acessados pela reportagem revelam que o perfil 'Choquei', conhecido por divulgar fofocas de celebridades e notícias, fez publicações enaltecendo o cantor MC Ryan SP dias antes da prisão. Em uma das postagens, a página compartilhou um vídeo do artista comemorando seu retorno ao topo das paradas musicais, com a legenda "O maior!".

Segundo a investigação, Raphael Sousa Oliveira é suspeito de atuar na produção e divulgação de conteúdos favoráveis não apenas a MC Ryan SP, mas também a outros dois investigados: Tiago de Oliveira, apontado como braço-direito do cantor, e José Ricardo dos Santos, responsável operacional por atividades de marketing e circulação financeira do esquema.

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Defesa nega envolvimento em organização criminosa

Em nota ao g1, a defesa do influenciador goiano negou veementemente qualquer participação dele em atividades ilícitas. Os advogados afirmaram que "seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa", responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital.

O texto da defesa acrescenta: "Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada. Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos."

Operação da PF cumpre 84 mandados em nove estados

A operação policial que resultou na prisão de Raphael mobilizou mais de 200 agentes da Polícia Federal, que cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em nove estados brasileiros e no Distrito Federal. Além de Goiás, as ações ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e no Distrito Federal.

De acordo com a PF, os investigados utilizavam um sistema sofisticado para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto montante, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Durante as buscas, foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.

MC Ryan SP é apontado como líder da organização

A decisão judicial que embasou os mandados de prisão descreve MC Ryan SP como "líder e beneficiário econômico da organização". Segundo a Justiça, o cantor teria utilizado empresas de produção musical e entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

Além de conteúdos favoráveis aos investigados, a PF apura que os altos valores recebidos por Raphael Sousa Oliveira estariam relacionados à promoção de plataformas de apostas ilegais e rifas, além da potencial mitigação de crises de imagem decorrentes das investigações.

Perfil 'Choquei' tem mais de 27 milhões de seguidores

O perfil 'Choquei', que realiza atualizações diárias sobre famosos, reality shows, curiosidades mundiais e notícias nacionais, possui mais de 27 milhões de seguidores no Instagram. Com mais de 73 mil publicações, a página registra postagens com mais de 500 mil curtidas e milhares de comentários, consolidando-se como uma das principais fontes de entretenimento digital do país.

Vale destacar que a página também atua como embaixadora de uma plataforma de apostas online, fator que ganhou relevância no contexto das investigações sobre transações financeiras irregulares.

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Crimes imputados aos investigados

Segundo a Polícia Federal, os suspeitos podem responder pelos crimes de:

  • Associação criminosa
  • Lavagem de dinheiro
  • Evasão de divisas

A investigação continua em andamento, com novas diligências previstas para os próximos dias. As defesas dos demais investigados ainda não se manifestaram oficialmente sobre as acusações.