Criador da página 'Choquei' permanece preso após Justiça negar pedido de soltura
Dono da 'Choquei' continua preso após Justiça negar soltura

Criador da página 'Choquei' permanece preso após decisão judicial

Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, criador da influente página digital Choquei, continua detido após a Justiça negar o pedido de revogação de sua prisão. O influenciador foi transferido na tarde de sexta-feira (17) para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde permanecerá enquanto avançam as investigações sobre supostas transações ilegais que totalizam impressionantes R$ 1,6 bilhão.

Justiça fundamenta decisão de manter prisão

Segundo informações do advogado Frederico Moreira, que defende Raphael Sousa, o magistrado responsável pelo caso fundamentou a negativa do pedido de soltura alegando ser necessário aguardar o avanço das apurações para proferir uma sentença com maior segurança jurídica. A decisão visa evitar qualquer prejuízo ao andamento regular do processo investigativo.

O advogado explicou que já havia impetrado um Habeas Corpus e o pedido de revogação da prisão, mas, diante da decisão em primeira instância, a equipe jurídica agora avalia a viabilidade de apresentar novos recursos. "Em primeira instância isso já está decidido. Vamos avaliar a viabilidade agora", afirmou Frederico Moreira em declaração ao g1.

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Operação Narco Fluxo e envolvimento com organização criminosa

A prisão do influenciador ocorreu durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em nove estados brasileiros. Raphael estava detido na sede da PF em Goiânia desde quarta-feira (15), quando foi preso em um condomínio de luxo na capital goiana.

De acordo com as investigações, o criador da Choquei atuaria como operador de mídia de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e estelionato digital, recebendo valores de outros investigados. A Polícia Federal aponta que Raphael integrava a estrutura investigada, que tem o funkeiro Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, como principal beneficiário econômico do esquema bilionário.

Valores recebidos e explicações da defesa

Segundo a investigação, Raphael Sousa recebeu R$ 370 mil do funkeiro MC Ryan SP por serviços de publicidade. Do montante total, R$ 270 mil foram identificados em movimentações entre 2024 e 2025, enquanto R$ 100 mil corresponderiam a uma transferência vinda de uma pessoa não identificada.

O advogado Frederico Moreira explicou que, durante o depoimento, seu cliente questionou esses valores perante o delegado Hugo Lisita. "O Raphael suspeita que seja um terceiro que tenha pago algo em favor do MC Ryan", afirmou o defensor, acrescentando que essa seria uma prática comum no meio artístico, onde contratantes frequentemente indicam terceiros para realizar pagamentos relacionados a projetos musicais ou artísticos.

Papel na organização e alcance digital

Documentos da 5ª Vara Federal de Santos, obtidos pelo g1, detalham que a função de Raphael na organização investigada consistiria, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações em curso.

Raphael Sousa Oliveira possui impressionantes 1,4 milhão de seguidores em uma de suas redes sociais pessoais, onde costuma postar momentos de trabalho, vídeos de humor, viagens com amigos e encontros com outros influenciadores. Já o perfil oficial da Choquei, conhecido por publicar fofocas sobre celebridades e reality shows, além de memes e acontecimentos de grande repercussão, conta com mais de 27 milhões de seguidores no Instagram e já realizou quase 74 mil postagens.

Estrutura do esquema e outros detidos

A operação investiga uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro em escala bilionária através de múltiplos mecanismos, incluindo:

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  • Apostas ilegais
  • Rifas digitais
  • Empresas de fachada
  • Contas bancárias de terceiros
  • Criptoativos

Além de Raphael Sousa, também foram presos o influenciador Chrys Dias, que possui quase 15 milhões de seguidores, e outros produtores de conteúdo digital. A investigação representa um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, tendo surgido após a Polícia Federal analisar dados extraídos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado.

A partir desse material, os investigadores identificaram uma estrutura financeira paralela utilizada para captar, fragmentar, ocultar e reinserir quantias vultuosas no mercado formal. O esquema contaria com apoio de operadores financeiros, contadores, intermediários, empresas de marketing, produtoras musicais e plataformas de pagamento especializadas.

Situação atual e expectativas

Após a audiência de custódia realizada na quinta-feira (16), o advogado Frederico Moreira ainda não teve contato com seu cliente, pois a decisão judicial era aguardada com expectativa de soltura. O defensor chegou à sede da Polícia Federal pouco antes de Raphael ser transferido para o presídio.

Moreira explicou que não são permitidas visitas na unidade prisional durante os finais de semana e que apenas familiares cadastrados podem ter acesso ao detento. A equipe jurídica agora analisa as possibilidades de apresentar novos recursos enquanto o processo investigativo segue seu curso normal, com a Justiça demonstrando cautela diante da complexidade e magnitude financeira do caso.