Chefe da Polícia Civil do ES pede exoneração após denúncia por coação a delegado
Chefe da PC-ES pede exoneração após denúncia por coação

Chefe da Polícia Civil do Espírito Santo pede exoneração após denúncia por coação a delegado

O delegado José Darcy Arruda, chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, solicitou exoneração do cargo na manhã desta sexta-feira (3). A informação foi confirmada pelo governador Ricardo Ferraço através de uma publicação em rede social, onde justificou o afastamento por "razões de saúde e pela iminente publicação de sua aposentadoria".

No mesmo post, o governador registrou reconhecimento e agradecimento pelo trabalho desenvolvido por Arruda ao longo dos últimos anos, destacando que "sua atuação contribuiu para fortalecer a Polícia Civil e para resultados que o Espírito Santo vem alcançando na redução da criminalidade".

Denúncia à Polícia Federal por suspeita de coação

O pedido de exoneração ocorreu logo após José Darcy Arruda ter sido denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação a testemunha. A notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres e cita outros crimes, incluindo:

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  • Denunciação caluniosa
  • Abuso de autoridade
  • Prevaricação
  • Obstrução de investigação de organização criminosa

Alberto Roque Peres já prestou depoimento em uma investigação federal, e o material também foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo. O chefe da Polícia Civil nega todas as acusações.

Contexto da investigação e retaliação

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Alberto confirmou informações fornecidas por um criminoso que apontou um policial civil como "o maior traficante do Espírito Santo". Antes da exibição da reportagem, Arruda informou nas redes sociais que o delegado seria investigado pela Corregedoria da Polícia Civil, afirmando que a corporação desconhecia as informações repassadas à Polícia Federal.

Na sexta-feira (27), uma investigação interna foi formalizada através de comunicado assinado por Arruda e enviado ao corregedor-geral Roberto Fanti de Resende, solicitando a apuração das medidas adotadas por Alberto.

Por sua vez, Alberto afirmou que a notícia-crime enviada à PF classifica a medida adotada por Arruda como retaliação. O documento indica que a ação seria uma reação à colaboração do delegado com a investigação federal e que poderia comprometer a segurança de testemunhas, apontando ainda quebra de sigilo.

Operação Turquia e investigações relacionadas

A investigação tem relação com a Operação Turquia, conduzida pelo Gaeco do Ministério Público do Espírito Santo em conjunto com a Polícia Federal, através da Ficco-ES. A operação apura a atuação de policiais do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) e de traficantes ligados a facção criminosa, suspeitos de desvio e comercialização de armas e drogas apreendidas.

Entre os investigados está o policial Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Dudu. Segundo documentos, indícios de irregularidades envolvendo o agente foram comunicados à Corregedoria desde 2017.

Posicionamento das partes envolvidas

Em nota, José Darcy Arruda afirmou que não tentou coagir o delegado, explicando que a intenção foi convidá-lo a apresentar documentos citados no depoimento à Polícia Federal. Arruda também informou que pediu à Corregedoria levantamento de investigações envolvendo Eduardo Tadeu e solicitou o desarquivamento de documentos antigos, declarando ainda que não conhecia o policial pessoalmente.

O delegado Alberto e seu advogado Fábio Marçal não comentaram o caso, assim como a defesa de Eduardo Tadeu, que também não se manifestou sobre as acusações.

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