Audiência de instrução de policial militar réu por duplo homicídio é marcada em João Pessoa
A 1ª Vara do Tribunal do Júri de João Pessoa determinou a realização da audiência de instrução do policial militar Thiago Almeida Filho, formalmente tornado réu pelo duplo homicídio qualificado de Guilherme Pereira e sua namorada Ana Luiza. O crime ocorreu durante uma abordagem policial no bairro de Muçumagro, na capital paraibana, no ano de 2024. Conforme o processo judicial, a primeira audiência de instrução sobre o caso está agendada para o dia 5 de maio.
Processos em andamento e decisão da justiça
O advogado que representa a família das vítimas divulgou a decisão judicial que tornou o policial militar réu nesta terça-feira, dia 10. O documento foi confirmado por fontes oficiais. Paralelamente ao processo criminal, um processo administrativo tramita na Corregedoria da Polícia Militar contra Thiago Almeida e outros quatro policiais que participaram da abordagem fatal. Até o momento, não há decisão sobre eventuais medidas administrativas contra os agentes. É importante destacar que os outros policiais envolvidos não respondem criminalmente pelas mortes dos jovens.
A Corregedoria da PM foi contatada para esclarecer o resultado do relatório do processo administrativo e informou que fornecerá uma resposta na quarta-feira, dia 11.
Laudos periciais detalham as circunstâncias das mortes
Laudos da Polícia Civil, aos quais se teve acesso no ano passado, revelam detalhes cruciais sobre o caso. O jovem Guilherme Pereira, que pilotava a moto onde também estava Ana Luiza, foi atingido por um tiro na cabeça antes da colisão do veículo. O laudo, assinado por três peritos do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC), aponta uma perfuração transfixante no crânio resultante de disparo de arma de fogo. A bala entrou pelo lado esquerdo da cabeça da vítima e saiu pelo lado direito.
Para chegar a essa conclusão, os peritos analisaram não apenas o corpo de Guilherme, mas também o capacete utilizado por ele durante a pilotagem. As análises confirmaram que o capacete também foi perfurado pelo projétil.
Indiciamento policial e depoimentos dos agentes
Um relatório da Polícia Civil, assinado pela delegada Luísa Correia, indiciou o policial militar Thiago Almeida. O documento considerou que a munição que atingiu o jovem era "similar à utilizada em fuzis" da Polícia Militar da Paraíba (PMPB). No mesmo relatório de indiciamento, foi informado que policiais militares envolvidos na ronda que seguiu a moto dos jovens em novembro de 2024 tiveram um pedido protocolado junto ao Comando da PM para verificação das armas utilizadas naquele dia.
Dois dos policiais prestaram depoimento à polícia afirmando que portavam fuzis durante a ação. O documento da Polícia Civil afirma claramente que "o policial efetuou o disparo de arma de fogo que atingiu o jovem na cabeça e provocou a colisão da moto".
Laudo da segunda vítima e relembre do caso
Em relação a Ana Luiza, a outra jovem que faleceu no acidente, o laudo pericial a que se teve acesso constatou que uma pancada forte na cabeça foi a causa da morte. Conforme o documento, "nenhum elemento de munição ou fragmentos de munição" foram encontrados no corpo da mulher.
Os dois jovens morreram na madrugada do dia 30 de novembro de 2024, no bairro Muçumagro, em João Pessoa. Segundo informações repassadas pela PM à época, as equipes policiais foram alertadas sobre uma festa ilegal na região da Praia do Sol. Durante o deslocamento para o patrulhamento, os agentes se depararam com três motocicletas em alta velocidade. Os policiais conseguiram parar uma das motos e abordaram um casal, mas as outras duas seguiram em fuga. Uma delas trafegou pela contramão e a outra subiu na calçada, momento em que o piloto perdeu o controle e colidiu com um poste.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas não houve tempo para efetuar o socorro. Ambos os jovens faleceram no local do acidente.



