Vítimas de Epstein denunciam que agressores seguem ocultos após divulgação de milhões de documentos
Vítimas de Epstein: agressores seguem ocultos após documentos

Vítimas de Epstein denunciam que agressores seguem ocultos após divulgação de milhões de documentos

As vítimas do agressor sexual Jeffrey Epstein afirmam que seus supostos agressores "continuam ocultos e protegidos", mesmo após a publicação, na última sexta-feira (30), de milhões de novas páginas do caso pelo governo dos Estados Unidos. A revelação ocorre em meio a um processo judicial que tem atraído atenção internacional devido às figuras públicas envolvidas.

Posicionamento oficial do Departamento de Justiça

O procurador-geral adjunto Todd Blanche realizou uma coletiva de imprensa para esclarecer o processo de revisão dos arquivos. Ele afirmou categoricamente que "a Casa Branca não teve qualquer participação" na análise dos milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça, que incluem fotos e vídeos sensíveis.

"Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar", declarou Blanche, que já atuou como advogado do ex-presidente Donald Trump. Ele negou veementemente que tenha havido exclusão de material comprometedor sobre qualquer pessoa, incluindo Trump.

Contexto do caso Epstein

Jeffrey Epstein, financiador que mantinha relações próximas com diversas personalidades influentes, incluindo Donald Trump, morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. Sua morte foi oficialmente declarada como suicídio, mas permanece envolta em controvérsias.

Os mais de três milhões de documentos divulgados na sexta-feira citam não apenas Trump, mas também outras figuras públicas de destaque:

  • Elon Musk, fundador da Tesla e SpaceX
  • Bill Gates, cofundador da Microsoft
  • O ex-príncipe britânico Andrew
  • Steve Tisch, produtor de Forrest Gump

Proteção das vítimas versus exposição dos agressores

Em uma carta emocionante, 19 vítimas dos abusos cometidos por Epstein denunciaram uma disparidade preocupante: enquanto suas identidades podem ser deduzidas dos documentos, os homens que as agrediram permanecem protegidos pelo anonimato. Algumas das signatárias usam apenas pseudônimos ou iniciais por medo de represálias.

A carta exige "a publicação completa dos arquivos Epstein" e solicita que a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, preste depoimento ao Congresso no próximo mês para esclarecer o processo de divulgação.

Conteúdo revelador dos documentos

Os arquivos divulgados contêm informações que têm causado polêmica:

  1. Um rascunho de e-mail no qual Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais - alegação negada pela Fundação Gates em comunicado ao New York Times
  2. Troca de mensagens entre Elon Musk e Epstein em 2012, onde Musk pergunta sobre "a festa mais selvagem na sua ilha"
  3. Associações de Epstein com Steve Tisch a diversas mulheres
  4. Convite do ex-príncipe Andrew para Epstein visitar o Palácio de Buckingham em 2010

Reações e desdobramentos políticos

Elon Musk reagiu às revelações em sua rede social X, expressando preocupação de que as mensagens possam ser "mal interpretadas e usadas por meus detratores para manchar o meu nome". Ele pediu que a Justiça processe "aqueles que, ao lado de Epstein, cometeram crimes graves".

Donald Trump, que frequentava os mesmos círculos sociais que Epstein na Flórida e em Nova York, resistiu por meses à publicação dos documentos. A pressão dentro do próprio Partido Republicano, no entanto, levou à sanção da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, que determinava a divulgação completa até 19 de dezembro.

O ex-presidente tem dado versões diferentes sobre seu afastamento de Epstein e criticou a divulgação dos arquivos, argumentando que pessoas que "conheceram Epstein inocentemente" poderiam ter suas reputações prejudicadas.

Expectativas limitadas para novas acusações

O procurador-geral adjunto Todd Blanche minimizou as expectativas de que os novos documentos resultem em acusações criminais adicionais. Ele destacou que parte do material contém "alegações falsas e sensacionalistas" sobre Trump, apresentadas ao FBI antes das eleições presidenciais de 2020.

Blanche também explicou que todas as imagens de meninas e mulheres foram censuradas, com exceção das que mostram Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, que cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de menores.

A divulgação de sexta-feira "marca o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos", segundo o vice-procurador-geral, embora tenha ocorrido com atraso em relação ao prazo legal estabelecido.