O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que acredita que o conflito na Ucrânia está próximo de seu término e fez duras críticas aos países ocidentais pelo suporte militar fornecido a Kyiv. “Acho que essa questão está chegando ao fim”, afirmou Putin a jornalistas após a Rússia realizar um desfile do Dia da Vitória mais modesto em comparação com anos anteriores.
Contexto do conflito e tensões com o Ocidente
A invasão russa da Ucrânia, iniciada em 2022, provocou a mais grave crise nas relações entre Moscou e o Ocidente desde a Crise dos Mísseis de Cuba, época em que muitos temiam uma guerra nuclear iminente. Sobre o apoio ocidental à Ucrânia, Putin declarou que “começaram a intensificar o confronto com a Rússia, que continua até hoje”. “Acho que isso está chegando ao fim, mas a situação continua grave”, destacou o líder russo.
Diálogo com líderes europeus e possibilidade de encontro com Zelensky
Questionado sobre a possibilidade de dialogar com líderes europeus, Putin indicou que sua preferência seria o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder. “Para mim, pessoalmente, o ex-chanceler da República Federal da Alemanha, Sr. Schröder, é preferível”, respondeu. Em relação a um encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Putin afirmou que poderia ocorrer em um terceiro país, mas apenas após a assinatura de um acordo de paz duradouro. “Seria possível nos reunirmos em um terceiro país, mas somente se houver um acordo definitivo sobre um tratado de paz, que deve ser elaborado com uma perspectiva de longo prazo”, declarou à imprensa, conforme divulgado pela agência russa TASS.
Esta não é a primeira vez que Gerhard Schröder é mencionado em possíveis negociações para encerrar a guerra. Em agosto de 2022, Schröder visitou Moscou e, após o encontro, afirmou que a Rússia desejava uma “solução negociada” para o conflito. “A boa notícia é que o Kremlin quer uma solução negociada”, declarou na ocasião, em entrevista à revista Stern, confirmando que havia se reunido com Vladimir Putin dias antes. O ex-chanceler alemão foi fortemente criticado pelo Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) devido aos seus laços com Putin, os quais ele afirma não ter motivos para romper.
Troca de prisioneiros e desfile do Dia da Vitória
Putin também comentou sobre a troca de prisioneiros anunciada na sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que a Rússia ainda não recebeu nenhuma proposta da Ucrânia. “Esperamos que a parte ucraniana responda à proposta feita pelo presidente dos Estados Unidos. Infelizmente, até hoje não recebemos nenhuma proposta”, afirmou.
Nenhum líder internacional participou do desfile do Dia da Vitória. O ministro da Defesa russo, Andréi Beloúsov, foi o responsável por comandar a parada, que coincidiu com o quinto ano da guerra na Ucrânia. Seguindo a tradição, Beloúsov subiu ao palanque para informar ao comandante supremo das Forças Armadas, Vladimir Putin, que as tropas estavam prontas para iniciar a marcha. Pela primeira vez desde 2007, o desfile foi realizado sem armamento pesado, devido ao que o Kremlin classificou como ameaça terrorista ucraniana.
O desfile, marcado pela ausência de equipamentos militares e com duração de 45 minutos, acabou sendo favorecido de última hora pela entrada em vigor de uma trégua de três dias anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos. Nos dias anteriores, pairavam ameaças de ataques de drones ucranianos para atrapalhar as cerimônias que celebram a vitória soviética sobre a Alemanha nazista, além de possíveis ataques russos em represália contra o centro de Kyiv. O desfile aconteceu sob forte esquema de segurança.



