Turistas gaúchas baleadas em conflito de terras na Bahia retornam ao Rio Grande do Sul
As duas turistas gaúchas que foram baleadas durante um conflito de terras na Bahia finalmente retornaram ao seu estado natal, o Rio Grande do Sul, neste sábado (7). Denise Moro, de 57 anos, e Josiane Moro, de 55, ambas residentes em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, haviam sido atingidas por tiros no dia 24 de fevereiro, enquanto passavam por uma área de disputa territorial entre indígenas e fazendeiros no município de Prado, localizado no extremo sul baiano.
O momento do ataque e o socorro emergencial
Segundo relatos detalhados, a família estava em passeio pela região desde o dia 14 de fevereiro. No momento do ataque, elas estavam de carro, a caminho da praia da Barra do Cahy, acompanhadas pelo marido de Josiane, Luis Alberto Dutra, que não se feriu. "Fomos atingidos. Andamos mais uns 50 metros, paramos o carro e elas desceram. Já estavam baleadas e caíram no chão", descreve Dutra, que ainda acrescenta ter visto um grupo de indígenas correndo em sua direção, momento em que gritou "sou turista".
O grupo, então, teria ordenado que fossem embora. Rapidamente, Dutra colocou a esposa e a cunhada novamente dentro do veículo e dirigiu até a comunidade onde estavam hospedados. De lá, um helicóptero foi acionado para socorrer as mulheres, que foram transportadas ao Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro.
Internação, recuperação e retorno ao solo gaúcho
As irmãs passaram por cirurgias e chegaram a ficar internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo alta apenas na noite de terça-feira (3), após uma semana de hospitalização. Ambas foram atingidas na região do abdômen e seguirão fazendo acompanhamento médico. "Graças a Deus, vivas. A gente é baiano de coração, como dizem. A gente foi para um lugar para se desconectar. É um lugar lindo, maravilhoso, mas deu essa fatalidade", afirma Denise, demonstrando alívio por estar recuperada.
Josiane, por sua vez, expressou gratidão pelo atendimento recebido: "Foi um grande susto. Mas a gente foi bem atendido, tivemos o apoio de todo mundo da comunidade, dos médicos, que foi como a gente conseguiu estar de volta em casa. Agora a gente está no nosso solo. A gente só quer ver nossos pais". O trio já havia visitado a região no ano anterior, mas desconhecia completamente a existência do conflito. "É um lugar maravilhoso. Está tendo todo esse problema lá e a gente não sabia. Do nada, aconteceu", destaca Josiane.
Investigações policiais e prisões relacionadas ao caso
Em relação às investigações, as autoridades já efetuaram a prisão de pelo menos oito homens adultos e a apreensão de quatro adolescentes, todos suspeitos de participação no ataque a tiros. O caso continua sob apuração detalhada pela polícia, que busca esclarecer todas as circunstâncias envolvidas no incidente violento.
Este episódio trágico evidencia os riscos que turistas podem enfrentar em áreas de conflito territorial, mesmo em destinos considerados paradisíacos. A rápida ação do socorro e o apoio da comunidade foram fundamentais para a recuperação das vítimas, que agora buscam retomar a normalidade em seu estado de origem, o Rio Grande do Sul.
