Irmãos corretores de imóveis de luxo condenados por tráfico sexual nos Estados Unidos
Três irmãos, incluindo dois dos corretores de imóveis de luxo mais bem-sucedidos dos Estados Unidos, foram declarados culpados por tráfico sexual nesta segunda-feira (9), após um extenso julgamento de cinco semanas em um tribunal federal de Manhattan. Os acusados são os gêmeos Oren Alexander e Alon Alexander, de 38 anos, e Tal Alexander, de 39 anos, que enfrentam agora a possibilidade de prisão perpétua.
Veredicto histórico e reações emocionais no tribunal
O presidente do júri pronunciou a palavra "culpado" por impressionantes dezenove vezes consecutivas, enquanto os três irmãos balançavam a cabeça em negação. Tal Alexander chegou a abaixar a cabeça sobre os braços cruzados, demonstrando evidente abatimento. Na plateia do tribunal, seus pais pareciam atônitos com a decisão, e a esposa de Alon Alexander cobriu o rosto com a mão, aparentando conter o choro diante da gravidade do veredicto.
A juíza Valerie E. Caproni marcou a data para a sentença em 6 de agosto. Os irmãos permanecem presos desde sua detenção em 2024, e seus advogados já anunciaram a intenção de recorrer da decisão. "Continuamos acreditando firmemente na inocência dos nossos clientes e não vamos parar de lutar até alcançar a vitória. Acreditamos que um dia vamos vencer", declarou o advogado de defesa Marc Agnifilo do lado de fora do tribunal.
Queda espetacular de magnatas do setor imobiliário
A condenação representa uma queda dramática para Oren e Tal Alexander, anteriormente conhecidos como o "time A" do mercado imobiliário norte-americano devido às suas vendas milionárias e clientela famosa. Após baterem recordes na poderosa imobiliária Douglas Elliman, os irmãos fundaram sua própria empresa, enquanto Alon Alexander administrava a empresa de segurança privada da família.
De acordo com os depoimentos apresentados durante o julgamento, as vítimas conheceram os irmãos em boates, festas exclusivas e até mesmo através de aplicativos de namoro. Muitas relataram ter sido atraídas com convites para viagens com todas as despesas pagas para destinos luxuosos como os Hamptons, Aspen e cruzeiros pelo Caribe, onde posteriormente foram agredidas.
Acusações detalhadas e padrão de comportamento criminoso
Promotores afirmam que mais de sessenta mulheres foram estupradas por um ou mais dos irmãos. Além das acusações principais de tráfico sexual, Alon e Tal Alexander também foram condenados por tráfico sexual envolvendo uma menor de idade. Alon e Oren Alexander foram considerados culpados por abuso sexual agravado com uso de força ou substâncias intoxicantes, bem como por abuso sexual de pessoa fisicamente incapacitada.
Oren Alexander enfrenta ainda condenação por explorar sexualmente uma menor, após promotores apresentarem ao júri um vídeo onde ele aparece gravando a si mesmo enquanto aparentemente abusava de uma adolescente de dezessete anos que estava drogada.
Segredo aberto no setor e processos civis em andamento
Além do processo criminal, os irmãos enfrentam aproximadamente vinte ações judiciais nos últimos dois anos. Uma das mais recentes foi apresentada na semana passada por Tracy Tutor, estrela do programa Million Dollar Listing Los Angeles, que alega ter sido drogada e agredida sexualmente por Oren Alexander durante um evento do setor imobiliário em Nova York.
Muitas testemunhas descreveram durante o julgamento que o comportamento dos irmãos era considerado um "segredo aberto" no mercado imobiliário de luxo, com várias mulheres relatando acreditar que suas bebidas foram adulteradas em eventos sociais. Uma vítima contou que conheceu os irmãos em 2012 em uma festa no apartamento do ator Zac Efron em Manhattan, e acordou posteriormente nua com Alon Alexander ao seu lado, após sentir perda total de controle sobre seu corpo.
Resposta das autoridades e significado do veredicto
O procurador federal Jay Clayton enfatizou que o veredicto representa uma significativa vitória para vítimas de crimes sexuais que frequentemente não são denunciados nem adequadamente punidos. "A verdade é que o tráfico sexual e outros crimes federais desse tipo estão presentes em muitos setores da sociedade, e ainda não fizemos o suficiente para erradicá-los", afirmou em comunicado oficial.
Durante o julgamento, promotores contestaram vigorosamente o argumento da defesa de que as acusações seriam motivadas por interesses financeiros. A promotora Elizabeth Espinosa destacou ao júri que apenas duas das mulheres têm processos civis em andamento, e ambas possuem independência financeira significativa.
Uma das testemunhas, que afirmou ter sido estuprada por Alon Alexander em Aspen quando tinha dezessete anos e se identifica como filha de um bilionário, declarou categoricamente aos jurados: "Eu não quero o dinheiro deles. Só não quero que eles tenham".
A artista e dona de galeria Lindsey Acree, que se identificou publicamente como vítima, relatou ter sido estuprada por Tal Alexander e outro homem em uma casa nos Hamptons em 2011, após consumir uma bebida que a deixou completamente paralisada. Ela explicou sua decisão de entrar com processo mesmo sem necessidade financeira: "Se uma criança fica batendo nas pessoas com um pedaço de pau, você tira o pau dela. O dinheiro é o pau deles. Então você tira isso para que eles não possam machucar mais ninguém".
