Franklin Martins é detido no Panamá e deportado após conexão para Guatemala
Franklin Martins detido no Panamá e deportado para Brasil

Ex-ministro é impedido de viajar após ser retido em aeroporto panamenho

No dia 6 de março de 2026, pouco depois da 1h da madrugada, o ex-ministro Franklin Martins deixou o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, a bordo de um avião da Copa Airlines. Seu destino final era a Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário na Universidade Rafael Landívar sobre a reconstrução de estados de bem-estar social nas Américas. A viagem incluía uma conexão na Cidade do Panamá, onde os eventos inesperados começaram a se desenrolar.

Chegada e abordagem policial no aeroporto

Ao desembarcar por volta das 6h da manhã, no final do "finger" que dava acesso à área internacional, dois policiais à paisana examinavam rapidamente os passaportes dos passageiros. Quando Martins entregou seu documento, um dos agentes o repassou a um superior, que imediatamente solicitou que o acompanhasse para uma entrevista. Sem explicações claras, o ex-ministro foi conduzido a uma área fechada e sem identificação, ainda na parte internacional do aeroporto.

Na sala, separada por uma grande parede de vidro que permitia a observação discreta, o policial pediu que Martins preenchesse um formulário com dados pessoais, incluindo profissão, motivo da viagem e histórico de prisões. O agente citou a Lei de Migração de 2008 como justificativa para o procedimento, mas evitou responder perguntas sobre o motivo específico da entrevista.

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Interrogatório e foco no passado político

Durante o interrogatório, o policial fez perguntas que em grande parte repetiam as informações do formulário, solicitando provas da participação no seminário na Guatemala. Martins apresentou a programação do evento, que foi fotografada, assim como suas impressões digitais foram colhidas três vezes e fotos foram tiradas.

O agente demonstrou interesse particular no item sobre a prisão de Martins em 1968, em Ibiúna, durante a ditadura militar brasileira. O ex-ministro optou por não entrar em detalhes, afirmando apenas que havia sido preso por motivos políticos, destacando que lutar contra a ditadura era um dever democrático, não um crime.

Decisão de deportação e falta de esclarecimentos

Após cerca de 20 minutos sozinho na sala, preocupado com a perda do voo para a Guatemala, Martins bateu na porta sem resposta. Pouco depois, outro policial informou que a decisão de seus superiores era que ele não poderia viajar para a Guatemala e seria deportado de volta ao Brasil no primeiro voo para o Rio de Janeiro.

Novamente, a Lei de Migração de 2008 foi citada, com a alegação de que ela impede a entrada ou conexão no Panamá de estrangeiros que tenham cometido crimes graves, como tráfico de drogas ou assassinatos. Martins reiterou que não cometeu crimes, mas lutou contra uma ditadura, e pediu contato com a Embaixada do Brasil, o que foi negado sob a alegação de que se tratava de uma decisão soberana das autoridades panamenhas.

Confinamento e procedimentos adicionais

Por volta das 10h da manhã, Martins foi levado por dois policiais não identificados para uma sala da Migración de Panamá, no andar de baixo, onde ficou confinado por mais quatro horas. Lá, foi fotografado novamente e teve suas impressões digitais colhidas mais duas vezes.

Os funcionários da migração mostraram-se mais sociáveis, permitindo que ele fosse ao banheiro, comprasse um hambúrguer no almoço e recarregasse seu celular. Eles insinuaram que erros às vezes ocorriam com os "retenidos" e mencionaram que a aplicação da Lei de 2008 havia se tornado mais rígida após decretos recentes do governo, possivelmente ligados a acordos de segurança com os Estados Unidos assinados em 2025.

Retorno ao Brasil e reflexões finais

Pouco depois das 14h, um funcionário acompanhou Martins até o portão de embarque, entregando seu passaporte à chefe dos comissários com a instrução de devolvê-lo apenas no Rio de Janeiro. Ao chegar, o documento foi repassado a uma funcionária da Copa Airlines, que o conduziu à Polícia Federal, onde o passaporte foi devolvido em um minuto.

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Martins refletiu que o incidente não pareceu fortuito, mas planejado, provavelmente a partir do cruzamento de informações de bases de dados panamenhas e norte-americanas, dada a intensa cooperação de segurança entre os dois países. Ele questionou se brasileiros que lutaram contra a ditadura e foram condenados por tribunais militares deveriam ser alertados sobre riscos ao visitar o Panamá ou fazer conexões, e sugeriu que o governo brasileiro dialogue com as autoridades panamenhas sobre esses abusos.