Família de vítima de massacre no Canadá processa OpenAI após uso de ChatGPT por atiradora
A família de uma adolescente baleada durante um massacre em uma escola no Canadá abriu um processo contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusando a empresa de não ter alertado as autoridades mesmo possuindo conhecimento das intenções violentas da suspeita. A ação judicial, apresentada à Suprema Corte da Colúmbia Britânica, alega que a atiradora usou a ferramenta de inteligência artificial para planejar o ataque, resultando na morte de nove pessoas e em lesões graves na vítima.
Acusações detalhadas no processo
Segundo o processo, a atiradora, Jesse Van Rootselaar, de 18 anos, utilizou o ChatGPT ao longo de 2025 para descrever vários cenários envolvendo violência com armas. A família da vítima, Maya Gebala, de 12 anos, afirma que doze funcionários da OpenAI sinalizaram essas conversas como um indicativo de risco iminente de dano grave a terceiros, recomendando que as autoridades canadenses fossem notificadas. No entanto, o pedido foi rejeitado internamente, e a única ação tomada foi banir a conta de Jesse.
A OpenAI, em declarações anteriores, defendeu-se afirmando que a polícia não foi contatada porque a usuária não havia chegado ao ponto de um plano crível ou iminente. A empresa também mencionou que as informações não representavam uma ameaça imediata, mas a família contesta isso, alegando que a OpenAI tinha conhecimento específico do planejamento para um evento com vítimas em massa.
Impacto do massacre e respostas
O ataque ocorreu em Tumbler Ridge, uma pequena cidade com cerca de 2.400 habitantes, e resultou na morte de nove pessoas, incluindo cinco crianças pequenas, a atiradora, sua mãe e seu meio-irmão. Maya Gebala foi alvejada três vezes enquanto tentava trancar a porta da biblioteca da escola, sofrendo uma lesão cerebral catastrófica. Este episódio é considerado um dos ataques a tiros mais mortais da história do Canadá, chocando profundamente a comunidade local.
Em resposta, um porta-voz da OpenAI qualificou o ataque como uma tragédia indescritível e afirmou que a empresa está comprometida em fazer mudanças significativas para prevenir eventos similares no futuro. O CEO, Sam Altman, pediu desculpas à comunidade de Tumbler Ridge durante um encontro virtual com autoridades canadenses, prometendo fortalecer os protocolos do ChatGPT para notificar as autoridades sobre interações potencialmente perigosas.
Questões de responsabilidade e idade
O processo também levanta questões sobre a verificação de idade na plataforma. Jesse Van Rootselaar criou uma conta no ChatGPT antes de completar 18 anos, e embora a plataforma permita o acesso de menores com consentimento dos pais, a acusação alega que nenhuma verificação de idade foi realizada. Após ter sua primeira conta banida, a atiradora simplesmente abriu um novo perfil, onde continuou a planejar cenários violentos, conforme detalhado no processo.
A família de Gebala busca responsabilizar a OpenAI por negligência, argumentando que a empresa falhou em agir de forma proativa para evitar a tragédia. Este caso pode estabelecer precedentes importantes para a regulamentação de inteligência artificial e a responsabilidade de empresas de tecnologia em situações de risco.
