EUA apontam suposta ligação do PCC com Hezbollah para classificar facção como terrorista
EUA usam suposta ligação PCC-Hezbollah para classificar facção como terrorista

Suposta conexão entre PCC e Hezbollah fundamenta classificação americana como organização terrorista

Uma das principais alegações do Departamento de Guerra dos Estados Unidos para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista é a suposta ligação da facção paulista com o grupo libanês Hezbollah. Essa classificação, que também inclui o Comando Vermelho (CV), encontra seu principal defensor na figura de Joseph Humire, atual Subsecretário Adjunto de Defesa para o Hemisfério Ocidental.

Testemunho no Congresso americano em 2018

Em 20 de março de 2018, ainda durante o primeiro governo de Donald Trump, Joseph Humire foi ouvido no Congresso dos Estados Unidos. Em seu depoimento, ele apontou o PCC como uma das organizações criminosas da América Latina com "ligações comprovadas" com o Hezbollah. As outras entidades mencionadas foram Los Zetas, do México, e La Oficina de Envigado, da Colômbia.

Humire destacou a Tríplice Fronteira, região que abrange Brasil, Argentina e Paraguai, descrevendo-a como "um centro histórico de convergência entre crime e terrorismo na América do Sul". Ele relatou que onze indivíduos residentes no Brasil e no Paraguai foram sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por fornecerem apoio financeiro ao grupo libanês.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Empresas abertas após sanções e colaboração operacional

O subsecretário americano acrescentou um dado preocupante: nove desses indivíduos sancionados abriram pelo menos dezoito novas empresas nos dois países após a aplicação das sanções internacionais. Segundo sua análise, a atuação conjunta entre organizações criminosas e grupos terroristas não se limitaria à lavagem de dinheiro, mas envolveria também o compartilhamento de áreas de operação, inteligência, táticas e até mesmo treinamento especializado.

Críticas à eficácia da repressão na América Latina

Na visão de Joseph Humire, a repressão americana não tem sido eficaz no Brasil e em outros países da América Latina e Caribe devido a instituições fracas, corrupção elevada e fronteiras porosas que facilitam a presença do crime organizado. Ele reconhece que o Brasil e outras nações da região possuem legislação antiterrorista, mas aponta um obstáculo significativo: a maioria desses países, incluindo o Brasil, não reconhece oficialmente o Hezbollah como grupo terrorista.

Essa falta de reconhecimento formal limita drasticamente a aplicação das leis antiterrorismo existentes. Humire citou como exemplo o caso de um membro do Hezbollah preso no Peru em 2014, que foi inicialmente absolvido das acusações de terrorismo por falta de uma base legal clara e específica.

Atenção especial ao Brasil e alegações adicionais

Joseph Humire acompanha os desenvolvimentos no Brasil com atenção meticulosa. Em 2022, mesmo sem apresentar comprovações concretas, ele publicou em suas redes sociais o que considera três pontos críticos sobre o país:

  1. A influência da China, que como maior compradora do agronegócio brasileiro estaria utilizando essa posição privilegiada para obter influência estratégica, incluindo a instalação de uma estação terrestre de satélites;
  2. A utilização do território brasileiro como um hub de espionagem da Rússia, país que se vale da condição de maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil;
  3. Operações do Hezbollah e da Guarda Revolucionária do Irã em solo brasileiro.

Essas alegações se somam ao debate sobre a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, que tem implicações significativas para as relações internacionais e a segurança regional. O governo brasileiro tem tentado adiar discussões sobre essa classificação até uma possível reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, enquanto analistas políticos alertam que a decisão americana pode se transformar em uma armadilha eleitoral para as eleições de 2026 no Brasil.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar