Engenheiros do Vale do Silício presos por suposto roubo de segredos do Google para o Irã
Três engenheiros do Vale do Silício foram presos na quinta-feira, 19 de setembro, acusados de roubar segredos comerciais do Google e de outras grandes empresas de tecnologia para enviar ao Irã. A informação foi confirmada pela procuradoria do Distrito Norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Os réus também enfrentam acusações de obstruir a Justiça, em um caso que envolve tecnologias sensíveis relacionadas à segurança nacional.
Identificação dos acusados e empresas envolvidas
Entre os presos, estão as irmãs Samaneh Ghandali, de 41 anos, e Soroor Ghandali, de 32. O terceiro réu é Mohammad Khosravi, de 40 anos, marido de Samaneh. Samaneh e Soroor Ghandali trabalharam anteriormente no Google antes de migrarem para outra empresa de tecnologia, identificada no processo judicial apenas como “Empresa 3”. Já Khosravi atuava em uma companhia referida como “Empresa 2”.
Segundo a denúncia, os três utilizaram suas posições profissionais para obter acesso a informações confidenciais e sensíveis. Em seguida, teriam transferido documentos sigilosos do Google e de outras corporações para locais não autorizados, incluindo dispositivos de trabalho vinculados aos empregadores uns dos outros, aparelhos pessoais e, crucialmente, para destinatários no Irã.
Métodos de transferência e conteúdo dos segredos
Os documentos supostamente roubados continham segredos comerciais valiosos, especialmente relacionados à segurança de processadores, criptografia e outras tecnologias avançadas. A acusação detalha que, durante seu período no Google, Samaneh Ghandali transferiu centenas de arquivos para uma plataforma de comunicação de terceiros, utilizando canais que levavam os primeiros nomes de cada um dos acusados.
Soroor Ghandali também é acusada de ter movido diversos arquivos do Google para esses mesmos canais enquanto ainda era funcionária da empresa. Posteriormente, esses arquivos teriam sido copiados para dispositivos pessoais, para o computador de trabalho de Khosravi na “Empresa 2” e para o equipamento profissional de Soroor na “Empresa 3”.
Tentativas de ocultamento e destruição de evidências
De acordo com a procuradoria, os três acusados tentaram ocultar suas ações através de múltiplas estratégias:
- Entrega de declarações juramentadas falsas às empresas vítimas, negando qualquer conduta relacionada aos segredos comerciais roubados.
- Destruição de arquivos e registros eletrônicos.
- Adoção de métodos para evitar detecção, como fotografar manualmente telas de computador com documentos confidenciais, em vez de transferir os arquivos completos por plataformas digitais.
Em agosto de 2023, após os sistemas de segurança do Google detectarem atividades suspeitas de Samaneh Ghandali e revogarem seu acesso, ela assinou uma declaração afirmando não ter compartilhado informações confidenciais fora da companhia. No entanto, a denúncia alega que ela e Khosravi passaram a pesquisar ativamente como excluir comunicações e dados, incluindo informações sobre quanto tempo operadoras de celular mantêm mensagens “para imprimir em tribunal”.
Fotografias de telas e viagem ao Irã
O casal continuou acessando segredos comerciais armazenados em dispositivos pessoais e, ao longo de meses, teria fotografado manualmente centenas de telas de computador com informações confidenciais do Google e da “Empresa 2”. Na noite anterior a uma viagem ao Irã, em dezembro de 2023, Samaneh Ghandali teria feito aproximadamente 24 fotografias da tela do computador de trabalho de Khosravi, contendo dados sigilosos da “Empresa 2”.
Já no Irã, um dispositivo pessoal associado a Samaneh acessou essas imagens, enquanto Khosravi teria acessado outras informações confidenciais da empresa. Essas ações reforçam as suspeitas de transferência intencional de tecnologia sensível para o país.
Declarações das autoridades e possíveis penalidades
Em nota oficial, o procurador federal dos Estados Unidos Craig H. Missakian afirmou que os acusados “exploraram suas posições para roubar segredos comerciais confidenciais de seus empregadores”. Ele destacou que o escritório continuará atuando para proteger a inovação americana e processar indivíduos que roubem tecnologias sensíveis para ganho indevido ou para beneficiar países hostis.
O agente especial do FBI responsável pelo caso, Sanjay Virmani, descreveu as ações como “uma traição calculada de confiança” e ressaltou que os acusados adotaram medidas deliberadas para evitar detecção e ocultar suas identidades. Virmani enfatizou que proteger a inovação do Vale do Silício e as tecnologias que impulsionam a economia e a segurança nacional é uma prioridade máxima da agência.
Os três réus devem retornar ao tribunal em 20 de fevereiro de 2026, quando será definida a representação legal perante a juíza Susan van Keulen. É importante destacar que a denúncia apenas alega que crimes foram cometidos, e todos os acusados são considerados inocentes até que se prove a culpa além de dúvida razoável.
Se condenados, cada um pode enfrentar:
- Até 10 anos de prisão e multa de US$ 250 mil por cada acusação de conspiração para roubo de segredos comerciais e de roubo ou tentativa de roubo.
- No caso de obstrução de procedimento oficial, a pena máxima pode chegar a 20 anos de prisão e multa de US$ 250 mil.
O caso está sendo processado pela Seção de Segurança Nacional e Processos Especiais do escritório do procurador dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, com base em investigações conduzidas pelo FBI. Este episódio evidencia os riscos crescentes de espionagem industrial e a importância de salvaguardas robustas em corporações de tecnologia global.



