Costa Rica constrói presídio de segurança máxima com apoio de El Salvador
Costa Rica constrói presídio com apoio de El Salvador

Em uma resposta direta à crescente onda de violência ligada ao tráfico de drogas, a Costa Rica, tradicionalmente vista como um dos países mais seguros da América Central, deu início à construção de um presídio de segurança máxima de grandes proporções. O anúncio foi feito pelo presidente costa-riquenho, Rodrigo Chaves, que classificou a obra como parte de uma ofensiva contra o crime organizado.

Detalhes da Nova Unidade Prisional

A nova instalação carcerária recebeu o nome de Centro de Alto Confinamento do Crime Organizado. O projeto é ambicioso e terá capacidade para abrigar até 5.100 detentos. Com essa expansão, o sistema prisional do país verá um aumento de 40% em sua capacidade total, um salto significativo na infraestrutura de segurança.

A construção ganhou um caráter internacional com o apoio declarado do governo de El Salvador. O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, conhecido por suas políticas de mão firme contra as gangues, visitou pessoalmente o local das obras na Costa Rica, simbolizando uma cooperação regional no combate ao crime.

Contexto de Insegurança e Críticas

A decisão de erguer a prisão ocorre em um momento sensível para a Costa Rica. O país, que por anos foi um exemplo de estabilidade na região, enfrenta uma onda de homicídios impulsionada por disputas entre grupos de narcotráfico por territórios e rotas de distribuição. Pesquisas de opinião pública consistentemente apontam a insegurança como a principal preocupação da população, especialmente às vésperas das eleições gerais marcadas para 1º de fevereiro.

A visita do presidente Bukele, no entanto, não foi recebida com unanimidade. Grupos de oposição política na Costa Rica criticaram a presença do líder estrangeiro, interpretando-a como uma possível interferência no processo eleitoral do país. Eles questionam o timing e o simbolismo da ação próxima ao pleito.

Uma Resposta à Pressão do Crime Organizado

A ofensiva anunciada por Rodrigo Chaves reflete uma mudança de postura diante de um problema que se agrava. O narcotráfico deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma questão de segurança interna urgente. A construção do presídio de segurança máxima é, portanto, mais do que uma obra de infraestrutura; é uma declaração política de força e uma tentativa de recuperar a iniciativa no combate ao crime.

O modelo de gestão e segurança que será implementado no novo centro, possivelmente inspirado na experiência salvadorenha, será observado com atenção. A pergunta que fica é se essa medida, focada no encarceramento em massa, será suficiente para conter a violência estrutural ligada ao tráfico ou se serão necessárias políticas complementares nas áreas social e econômica.

O desfecho dessa estratégia terá impacto não apenas na segurança dos costa-riquenhos, mas também no resultado das eleições de fevereiro e no posicionamento do país no cenário de segurança centro-americano.